oxala

Oxalá[1]

Aiye won a toro bi omi a-foro-pon!

Suas vidas serão puras e límpidas

como água apanhada na nascente,

logo cedo pela manhã!

Oxalá, também chamado Obatalá e Orixalá (Orisa-nla), é a divindade criadora, incumbida pelo Ser Supremo de criar a terra sólida, povoá-la e modelar a forma física do homem, sendo por isso, freqüentemente descrito como o representante de Olodumare na terra. Oxalá possui outros nomes descritivos de sua natureza e caráter: Obatala, contração de Oba-ti-o-nla,  o rei que é grande ou Oba-ti-ala, o rei em vestes brancas.

Muito antigo, diretamente originado do Ser Supremo, compartilha com Ele alguns nomes: A-te-rere-k-aiye = O que se expande por toda a extensão da terra; Eleda = Construtor; Alabalase = o regente que empunha o cetro (símbolo da autoridade divina); Ibikeji Edumare = Representante de Olodumare; Adimula = Aquele que é suficientemente forte para nos dar segurança. Freqüentemente representado pela figura de um ancião com trajes e ornamentos brancos, todos os objetos a ele associados são igualmente brancos, incluindo-se roupas e ornamentos de seus sacerdotes, sacerdotisas e devotos.

As pessoas que nascem defeituosas são chamadas Eni Orisa = Devotos do Orixá e devem respeitar certos tabus alimentares. Os albinos estão incluídos entre os Eni Orisa e seus tabus alimentares são particularmente pesados. Em algumas regiões é costume dizer-se a uma mulher grávida Ki Orisa ya ‘na ‘re ko ni o = Possa Orixá realizar um belo trabalho de arte para nós. Ouve-se dizer também: Ki ‘se ejo eleyin gan-n-gan; Orisa l’o se e ti ko fi awo bo o = Os dentuças não devem envergonhar-se. Foi Orixá quem os fez e não providenciou cobertura suficiente para seus dentes.

Oxalá é cultuado por toda a terra iorubá. Segundo narra a tradição, seu lar de origem é Igbo: Enití nwon bi l’ ode Igbo ti o re j’ obal’ ode Iranje = Ele que nasceu em Igbo e foi reinar em Iranje. Em Ile-Ifé é cultuado, pelo menos, sob três nomes. Em Ifon onde segundo algumas tradições a mãe de Oxalá (!) teria nascido, é chamado Olufon; em Ijaye, Orisa Ijaye; em Owu, Orisa-Roowu; em Oba, Orisa Oloba e assim por diante[2]. Mulheres estéreis pedem a benção de conceber; mulheres grávidas bebem água de seu santuário para terem filhos bonitos; inválidos são tratados com essa mesma água, colhida de manhã bem cedo, devendo a pessoa que vai apanhá-la, permanecer em silêncio total durante a realização dessa tarefa. A água de seu santuário deve ser trocada todos os dias para manter-se pura.

Antigamente apenas as mulheres virgens ou as já velhas, mulheres sem atividade sexual e de indiscutível reputação moral podiam apanhar água em sua nascente. Durante todo o percurso de ida à fonte e retorno, para evitar que lhe dirijam a palavra, a pessoa que apanha a água faz soar continuamente o agogo, informando tratar-se de um cortejo sagrado. Oxalá recebe em sacrifício igbin (caracol da terra) e banha de ori.

Totalmente identificado com a pureza, Oxalá exige alto senso de moralidade por parte de seus cultuadores, que devem ser como a água da nascente.  O procedimento do devoto de Oxalá deve ser correto e limpo seu coração: Aiye won a toro bi omi a-f’oro-pon! = Suas vidas serão puras e límpidas como água apanhada logo cedo pela manhã! Oxalá dá a seus filhos motivo para rir e eles riem. Oxalá torna seus filhos prósperos:

Alase!

Oh, Portador do Cetro!

Oh, você que multiplica uma única pessoa por 200 !

Multiplique-me por 200

multiplique-me por 400

multiplique-me por 1460 !

[1] Fontes: Idowu, 1977; Awolalu & Dopamu, 1979

[2] Pode ser oportuno assinalar que é exatamente a mesma divindade que recebe distintos nomes, dependendo da região em que é cultuada e as chamadas “qualidades” de Orixá referem-se, de fato, às qualidades de suas ações nas diferentes localidades por onde passou (conforme o mito)

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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