orunmila (1)

ORUNMILA

Orunmila, que é também chamado Ifá, é a testemunha do destino e o ser supremo em segundo lugar depois de Odudua (Deus Supremo) em ordem de importância no panteão de divindades Yoruba.

O seguinte louvor de Orunmila descreve seus vários papéis e capacidades:

ORUNMILA! Eleri Ipin,

Ibikeji Olodumare;

a-je-ju-Oogun,

Obiriti, A-p’ijo-iku-da.

Oluwa mi, A-to-i-ba-j’aye,

Oro a-bi-ku-j’igbo;

Oluwa mi, Ajiki,

Ogege a-gb’aye-gun;

Odudu ti ndu ori emere;

A-tun-ori-ti-ko sunwon se,

A-mo-i-ku.

Olowa Aiyere,

Agiri Ile-Ilogbon;

Oluwa mi: amoimotan,

A ko mo O tan ko se,

A ba mo O tan iba se ke.

 

“ORUNMILA! Testemunha do destino,

Segundo depois de Olodumare (Deus);

Vós sois muito mais eficaz do que os remédios,

Vós, a Imensa Órbita (Ação), que desvia o dia da

Morte. Meu Senhor, Onipotente para salvar,

Misterioso Espírito que combate a Morte.

A Vossa saudação é a primeira obrigação na manhã,

Vós, o Equilíbrio que ajusta as Forças do Mundo,

Vós sois Aquele cujo esforço é para

reconstruir a

criatura de mau destino;

Reparador da má sorte,

Aquele que Vos conhece torna-se imortal.

Senhor, o rei Indestituível,

Perfeito na Morada da Sabedoria.

Meu Senhor! Infinito em Conhecimento!

Por não Vos conhecer em profundidade, nós somos fúteis,

Oh, se nós pudéssemos Vos conhecer em profundidade, tudo estaria bem conosco.”

orumila

O corpo total da  instrução de Orunmila é chamado Ifa. A instrução consiste na arte da adivinhação, da notação, da interpretação e da aplicação do oráculo de Ifa.

Um tipo de noz de palmeira (palm nut), de três ou quatro faces, que Orunmila recomendou para uso na adivinhação e como objeto para ser adorado (representando Orunmila), é também chamado de Ifa.

Os babalawos (pais dos Mistérios) são discípulos de Orunmila, ou, como comumente chamados, sacerdotes Ifa.

Os versos dos odu Ifas são tantos e tão variados que ninguém conhece todos. Antes de um homem tornar-se um babalawo, ele deve estudar Ifa por 3 a 7 anos.

Os babalawos são tanto adivinhos quanto sacerdotes do Ifa, o Deus da adivinhação. Um babalawo consulta o Ifa através da manipulação de 16 nozes de palmeira, conhecidas como Ikin, com as quais formam uma mão cheia, e tentam pegá-las em sua mão direita. Se uma noz resta em sua mão esquerda, ele faz uma marca dupla (II) no pó de madeira, (conhecido como Iye-irosun) salpicado sobre seu tabuleiro de adivinhação, conhecido como Opon-Ifa. Se duas nozes restam, ele faz uma marca simples (I). Quatro de tais marcas feitas em uma coluna vertical constitui uma metade de uma figura, e cada metade tem 16 formas possíveis. A segunda metade da figura, marcada em uma coluna vertical paralela, tem as mesmas 16 formas possíveis. Como elas podem se combinar com qualquer uma das 16 formas na primeira metade da figura, existe um total de 16×16, ou 256, figuras completas neste complexo e rigidamente definido sistema de adivinhação Ifa. A figura da direita é considerada como sendo masculina e da direita é considerada como sendo feminina. Estes 256 caracteres ou símbolos são impressos com o dedo anular e com o dedo saturn da direita para a esquerda e de cima para baixo em quatro fileiras. Estes símbolos ou figuras, conhecidos como odus, são muito importantes. Eles são lidos da direita para a esquerda, como por exemplo:

I   I                  I

  I                     I

I   I               I   I

  I                   I

Irete’Fu — Irete está na direita e Ofun (ou em sua forma contraída “Ofu”) está na esquerda.

Alternativamente, um babalawo pode chegar aos mesmos 256 símbolos ou figuras mais rapidamente pelo simples arremesso de uma série de 8 conchas em formato de meia sementes, conhecidas como Opele, embora este método seja considerado menos confiável.

A série é mantida no meio e arremessada no chão, de forma que quatro conchas em forma de meia sementes caiam em uma linha em cada lado. Uma semente caindo com a superfície côncava interior para cima é equivalente a uma marca simples (I), e caindo com a parte exterior convexa é equivalente a uma marca dupla (II).

Uma vez chegando à figura correta, o babalawo recita seus versos, um dos quais é selecionado como relevante para o problema de seu cliente. O verso prescreve o sacrifício requisitado para assegurar a graça desejada ou para impedir um infortúnio que está por acontecer.

Um babalawo também pode responder perguntas do tipo “sim” ou “não” fazendo dois arremessos da série divinatória e observando qual tem a figura de grau superior. Este processo é conhecido como “Ibodidi” – deitar a sorte. Os babalawos são consultados para uma ampla variedade de problemas pelos adoradores do Ifa e de outras divindades, assim como por muçulmanos e cristãos.

Deve-se notar que os 16 odus primários são pareados ou figuras duplas, que são idênticas (meji). A figura Ogbe dupla é conhecida por toda a parte como Eji-Ogbe. O padrão de figura dupla ajusta-se a qualquer um dos 16 primeiros odus, conhecido como Olodu, ao passo que os 240 odus remanescentes são conhecidos como ramos porque eles são combinações dos 16 odus primários.

A ordem dos 256 Odus seguintes é a ordem classificatória reconhecida em Ile-Ife e em muitos lugares do mundo como a ordem fixada por Orunmila.

Os 16 Odus primários ou Odu Ifas e os ramos devem ser aprendidos no primeiro ano. Seu número, com seus 240 ramos, é 256 = 16×16.

No segundo ano de estudo, o estudante deve aprender como tirar a sorte para responder questões de sim ou não, usando diferentes objetos chamados Ibo na adivinhação Ifa, e a continuação no templo Ifa ou em bosques.

No terceiro ano, ele tem de aprender os versos ou as maneiras de expressar cada odu. Esta é a parte mais difícil das lições para tornar-se mestre devido a cada um dos 256 odus poder ser expresso em 1680 maneiras diferentes.

Como anteriormente mencionado, cada odu é masculino-feminino, o masculino no lado direito e o feminino no esquerdo.

Os símbolos Odu são muito antigos. Eles originaram de Orunmila em Ile-Ife. Sinais similares parecem ter sido usados no Egito (anteriores pelo menos a 3.000 a.C.) em Trípoli, Senegal, Futa, os Estados Hausa e outros lugares na África. E a este respeito nós não conhecemos mais do que nossos ancestrais que disseram que Ile-Ife foi o lugar onde as pessoas pela primeira vez conseguiram a luz de seu conhecimento.

Todos os homens e mulheres consultam o Ifa “Orunmila Eleri Ipin, Ibekeji Olodumare” (Testemunha do Destino, segundo Ser após Olodumare). Isto nos diz que quando Olodumare estava criando o homem, Orunmila estava presente ali como testemunha do Destino.

Toda criança recém nascida é levada para um sacerdote Ifa a fim de verificar qual será seu destino e o tipo de treinamento adequado para ele ou para ela. De fato, os grandes Reis Yoruba como o Awujale de Ijebu Ode, o Alake de Abeokuta e o Alaafin de Oyo etc, consultam o Ifa de cinco em cinco dias para orientação. Espera-se que todo o homem Yoruba seja um adorador do Ifa.

O primeiro passo para um pretenso adorador é ir a um babalawo receber as nozes de palmeira Ifa. Dezesseis Ifas e algumas nozes de palmeira que nunca foram pisadas (Ifa ti won ko te) são dadas ao devoto primeiramente. Os mesmos Ifas podem ser pisados mais tarde por um Babalawo; então fala-se que o recebedor recebeu uma Iniciação Ifa–an moderada; quando alguns mistérios devem ser revelados ao devoto (ou a seus pais por ele), o nome do Odu Ifa que encarnou nele, o que ele pode comer e o que ele deve evitar, a profissão ou o comércio que ele deve seguir, as boas qualidades que deve desenvolver a fim de que o Esu não possa afligi-lo são também concedidos a ele ao receber o Ifa moderado conhecido como Iniciação.

Os Ifas moderados recebidos durante o processo acima mencionado chamado de Iniciação (Itefa) são geralmente mantidos em um vaso e colocados sobre uma imagem de madeira chamada Agere. O Esu ou Eleg-bara, que é representado por uma imagem de barro feita na forma de um homem muito rudimentar com dentes cerrados (o Babalawo geralmente faz um para o devoto), é colocado no chão descoberto próximo às nozes de palmeira Ifa, deixando pouco de espaço entre eles. Este Elegbara deve ser coberto com roupas brancas, deixando apenas a face descoberta. Óleo nativo é despejado sobre esta imagem em curtos intervalos de dias. Isto é feito para aplacar o Esu de forma que ele não moleste ou cause problemas para o devoto e que ele possa ser saudável e rico.

Quando um homem que recebeu o Ifa moderado (Ifa ti won ti te) torna-se rico ou um chefe ele pode, se ele assim escolher, receber o Igba Odu (cabaça Odu) ou, como também é chamada, Igba Iwa (a cabaça ou o Recipiente da Existência), Odudua Ele Mesmo sendo o Iwa (isto é, a Vida, a Existência etc). Nesta cabaça são armazenados feitiços miraculosos por um babalawo senior (Oluwo) que dá instruções de como ele deve ser adorado, com a severa advertência, é claro, de que ele nunca seja aberto, exceto se o devoto estiver extremamente aflito e, portanto, ansioso para deixar o mundo. O Igba Iwa é feito de forma que não possa ser facilmente aberto.

O Igba Iwa é recebido como um objeto de reverência, representando Odudua. Acredita-se que através de sua influência o recebedor possa conquistar todos os seus inimigos e ter uma vida longa, feliz e próspera.

O Babalawos são ensinados a reverenciar os nomes dos dois primeiros discípulos de Ifa ensinados pelo próprio Orunmila em Ile-Ife, de nomes “Akoda” e “Aseda”. Eles serviram como mão e pés para Orunmila e ele agiu através deles, eles viajaram e ensinaram a doutrina em outras partes do mundo. Por isso os Babalawos quando eles se encontram em seus círculos para consultar o Ifa, repetem: “Awa juba Akoda” significando “Nós reverenciamos Akoda”, e “Awa juba Aseda”, significando “Nós reverenciamos Aseda”, “Akoda ti nko gbogbo aye n’Ifa”, “Akoda que está ensinando o Ifa para todo o mundo”, “Aseda ti nko gbogbo agba n’imoran”, significando “Aseka que está ensinando todos os antigos conhecimentos”.

Orunmila viveu na terra por séculos, ensinando e colocando as coisas em ordem. Por fim ele ascendeu aos céus. Diz-se que ele era muito preto e, por isso, ele as vezes é chamado de “Edu”.

O Dr. Edward Blyden, em seu livro “African Life and Customs”, comentou acerca da cor negra de certos deuses, como Buda. Ele disse com certeza que “a religião originou-se na África”. Ela foi da Etiópia, que está a leste do Continente Negro e ao norte do Egito e abaixo do Nilo, estendendo-se para o coração da Ásia. Todas as representações de Buda que nos temos visto são pintadas de preto.

O Babalawo é conhecido por uns tipos de contas amarradas ao redor pulso esquerdo ou por rabos de vaca (ou de boi), ou presas de elefantes, que leva na mão; e também pelo uso de uma bengala chamada Osu, e um bastão de ferro adornado com pequenos sinos nativos. O Osu é geralmente colocado em pé na frente da casa do Babalawo e adorado.

Antes de concluir este capítulo, é oportuno que a seguinte nota de advertência contra julgamentos apressados seja emitida: O jovem estudante de Ifa e o leitor deste livro poderão ter algumas dúvidas com relação à idade de Odu-Ifa e à idade do Ifa ou de Orunmila.

Ifa originariamente não é nome de homem. Lembre-se sempre do ditado “Mo nko Ifa” “Eu estou aprendendo Ifa”. Por isto nós temos de confirmar que: As misteriosas palavras recebidas de Orunmila para serem aprendidas por seus discípulos chamados Babalawos são chamadas Ifas. Os versos atribuídos a cada Odu são 1.680. Existem 16 Odus principais e 240 Odus ramificados, formando um total de Odus de 256 (isto é, 16 + 240 ou 16×16 ou 4x4x4x4 = 256). Os Odu Ifas são os escritos, sinais ou símbolos usados pelo próprio Orunmila para expressar a adivinhação através do Oráculo Ifa e eles são muito velhos, como anteriormente mencionado.

O jovem estudante ao basear seu julgamento em eventos de datas recentes e a incidentes conectados com eles, pode ser levado a concluir erroneamente que o Orunmila dos Yorubas ou de Ile-Ife é um ser de idade muito recente que veio para Ile-Ife a não muito tempo atrás (se ele veio, de qualquer modo).

Ifa é o Conhecimento da Antigüidade dos Yorubas que refere-se ao passado, ao presente e ao futuro. Por isto algumas das 430.00 maneiras de expressão em Ifa ou Odu Ifa são de data recente e alguns são da antigüidade, mais antigos que os Faraós.

Existem alguns momentos nos quais o estudante pode ser levado a conclusões erradas; por exemplo, que Orunmila tomou “Ewemilere”, uma das esposas de Sango e que portanto Orunmila é de caráter imoral, por tomar a esposa de outro homem. Mas a verdade acerca do caso é que Orunmila existia a muito mais tempo antes que o tetravô de Oranmiyan tivesse nascido e ainda está vivendo e movendo-se hoje aqui e em todas as partes como ele fazia a muito tempo atrás e ele viverá e mover-se-á para sempre através de seus discípulos – desta forma nós fomos ensinados. Seus discípulos fazem todas as coisas em seu nome. Se eles desejam algo, eles dizem que Orunmila é quem deseja.

Ewemilere é uma tigela plana utilizada por todos os Babalawos e todo Babalawo é ensinado, ou proibido, a não expor a tigela ao ar livre: para evitar que seja atingida por Sango (o deus dos trovões e dos relâmpagos). Os primeiros discípulos de Orunmila, Akoda e Aseda e muitos Babalawos nos dias primitivos do Ifa não utilizaram este instrumento, a tigela. “Akoda nda tire lowo Aseda nte tier l’ese”, significando “Akoda está agitando seu Ifa (16 nozes de palmeira) nas mãos, Aseka está marcando os símbolos do Odu no chão”. Este era o encantamento feito antes da adivinhação.

Toda a interpretação do Ifa, como produzida pelo Babalawo, é considerada como procedente diretamente de Orunmila

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cropped-cropped-oluwo.jpgSe você esta aqui é porque Ifá lhe encontrou, agora você deve encontrar Ifá! 

Oluwo Ifabgboun Ajisafe

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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