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Orí

Orí habita consciência humanas representa a individualidade e é a sede das energias vitais e do destino a ligação de passado e futuro. Simboliza o ápice do corpo humano, a parte mais alta e primordial, como morada do cérebro que controla o corpo inteiro e a razão. O líder ou chefe de qualquer organização é referido como Olòrí – o cabeça. Orí apresenta dois aspectos:

Orí ode – o crânio humano e parte do ego, onde se situa o cérebro, sede dos processos do raciocínio e controle sensorial, abrangendo o consciente e o inconsciente. Orí Ínu – a mente espiritual, moldada pela divindade Àjàlà.

Compreende o Odù Olòrí, que é o signo regente, o destino que cada um escolhe, por livre arbítrio, antes de nascer. Aliás, este Odù, no qual estão subentendidas as condições sociais / ambientais, predisposições positivas e negativas, assim como os fatos marcantes da vida, só podem ser identificadas na iniciação de Ifá – O Odù Olòrí. Há um itan que relata que “no dia em que Orí percebeu que estava prestes a reencarnar, reportou-se a Olódùnmarè solicitando permissão para nascer na mesma família em que havia nascido antes. Foi permitido, sendo que Olódùnmarè se reservou o direito de determinar o dia da sua morte, sem qualquer interferência de Orí. Por outro lado, o alinhamento do destino de Orí só poderia ser alterado mediante consulta a Ifá”.

O Òkè Ìponrí consiste na contribuição da carga ancestral / genética – também resultante de uma determinação cármica. O Òrìsà Elédà é o Òrìsà principal (eventualmente associado a outros) , partícula divina que moldou o indivíduo e que pode servir de guia, inspiração e iluminação ao longo da sua trajetória evolutiva na Terra.

Quando morre um sacerdote de Ifá, seus apetrechos devem ser deixados numa corrente de água. Quando morre um devoto de Xangô, suas ferramentas devem ser despachadas. Quando morre um devoto de Obatalá, sua parafernália deve ser enterrada. Mas quando os ser humanos morrem, a cabeça não é separada do corpo para o enterro. Lá está o Orí.

Ori detém o livre-arbítrio. Alguém pode ser contemplado com um destino predominantemente positivo, no entanto, uma eventual má conduta proveniente deste mesmo livre-arbítrio, poderá transformá-lo em desgraça. O oposto também é passível de acontecer, no sentido em que alguém pode tirar o melhor partido possível de um destino originalmente adverso.

Iwá Pèlé é aquilo que popularmente denominamos “sina”, ou seja, o destino moldado mediante a evolução espiritual que cada indivíduo vai galgando no decorrer das reencarnações. Embora a tradição Yorùbá não estabeleça prescrições e interdições, a extensa literatura de Ifá através das centenas de Odù fornece um código é tico bastante claro, onde não se concebem justificativas ou perdão divino para transgressões.

Cada um tem consciência, no seu dia a dia, do quanto a Lei Cármica é implacável e procura se conduzir de maneira a não precisar arcar com dolorosas consequências futuras. Assim, Iwá Pèlé é um estado a se lapidar e exercitar constantemente, com a finalidade de aperfeiçoamento e obtenção de destinos cada vez mais positivos, angariando e refletindo felicidade.

Estando Òrúnmìlá presente no momento da criação do universo, o seu aconselhamento se resume na seguinte norma: “Caráter é tudo. Uma pessoa com Orí capaz, mas com caráter ruim, arruinará o seu destino” (Iwá nikan l’o soro o. Eni l’ori rere ti ko n’Iwá, Iwá l’l maa b’ori re je). O ideal de iwa é alá – a brancura símbolo de Obatalá – ou seja, a boa reputação , a pureza imaculada.

A filosofia de vida Ogboni-Ifá procura, desta forma, elucidar acontecimentos aparentemente incompreensíveis, que poderiam fornecer a concepção errônea e injusta da existência de favoritismo aleatório a indivíduos “eleitos de Deus” no seio de um Universo – até onde nos cabe perceber – regido por Leis harmônicas e equilibradas.

Ela confere ao ser humano a dimensão exata da responsabilidade total sobre seus atos e omissões. Como a existência de um Mal absoluto e eterno – desafiando o poder supremo de Olódùnmarè – é inconcebível, os únicos obstáculos que se opõem ao sucesso do ser humano em evolução são as próprias armadilhas e ilusões do plano material ao qual se vincula a vida na Terra.

Cada Orí tem o seu destino e características próprias inerentes a um determinado momento. Em decorrência disso, não há uniformidade na maneira como se trata um Orí, ficando cada procedimento vinculado à consulta a Ifá. O que é positivo para um, pode ser negativo para outro, o que é positivo hoje, poderá não ser amanhã.

Filiação a um determinado Òrìsà não influencia o Orí. Por outro lado, as características do Orí podem conferir aspectos diversos a um mesmo Òrìsà individualizado. O contexto religioso Ifá proporciona recursos de interferência entre os aspectos positivo e negativo do destino, uma vez que ao sacerdote, mediante consulta ao oráculo, serão revelados os limites de uma possível manipulação.

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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