ODUDUWA

ODUDUWA é o ser auto-existente que criou a existência. Ele é o Deus Supremo. No começo da criação os segundos e terceiros seres supremos, Orunmila e Orisa-nla, também estavam presentes. Eles criaram todas as substâncias juntos. Odudua, Orunmila e Orisa-nla desceram dos céus para Ile-Ife, uma cidade no sudoeste da Nigéria e ali criaram a humanidade.

Oduduwa é chamado Ajalorun, significando “a influência dos céus”, título que foi um dia adotado pelos obas (reis) de Ile-Ife. O título dos obas de Ile-Ife agora mudou para Ooni (Omo Oluwo ni , Owoni).

Olofin Ogbolu, um descendente de Odudua, foi o último rei de Ile-Ife que portou este título. Ele migrou um pouco para o sul e fundou as “cidades estado” de Ijebu e Remo, por volta de 1450 d.C. A sua capital era chamada Ife-Ijebu e os obas (reis) e Ife-Ijebu ainda são chamados de Ajalorun. Odudua também é comumente chamado de Olodumare, um de seus títulos de exaltação, que significa “o portador da eterna abundância”. Olodumare em Ifa significa os 16 principais odus (espíritos divinos) chamados Olodu (possuidores do Odu); “mare” significa “avançar”; portanto, as palavras em seu todo significam “os possuidores dos Odus que sempre avançam”.

A palavra Olodumare pode ser escrita de duas formas: (1) Olodumare e (2) Olodumaare. Cada um dos 16 odus principais, assim como os 16 odus tomados juntos, chamam-se Olodu. As combinações de quaisquer 2 dos 16 odus principais são consideradas ramos. Existem 240 ramos possíveis. Os 256 odus são os 16 odus principais e seus 240 ramos, tomados juntos, também são chamados Olodu.

Ol’ é uma contração de Oluwa (senhor, possuidor). Odu, isto é, O du (você manifesta, aplica) e mare (avançar, prosseguir sem cessar ou eternamente), tomados juntos, formam a palavra Olodumare, que pode ser traduzida como “a divindade que prossegue eternamente” ou “a divindade eterna ou senhor do odu que nunca cessa”. Cada odu é masculino-feminino, criador, produtor e progenitor.

Odu: recipiente, abundância, Olodu significa recipiente geral. A palavra Olodumare, como mencionada acima, é um título honorífico de Odudua. Odu ti o da gbogbo iwa, isto é, “Odu que criou tudo o que existe”.

Ao terminar sua missão na terra, Oduduwa retornou aos céus, deixando Orunmila e Orisa-nla atrás. Orunmila é também chamado Ifa; o maior historiador Ife (Opitan Elufe), e nossos ancestrais contam-nos que Ile-Ife é o local onde Odudua (Deus Supremo) criou o homem, branco e negro, moreno, vermelho e amarelo, todas as matizes de pele, e que dali, eles dispersaram por toda a terra. Todas as tribos que falam Yoruba, assim como os Benins e os Dahomeans, têm suas origens em Ile-Ife.

Algumas das Esposas de Oduduwa :

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  1. Olóòkun Seniade : Ìyá Òkun, a dona, Mãe e Rainha do Mar, a primeira e a favorita de Odùduwà. A senhora da prosperidade, fartura e riqueza como o proprio mar, a mãe de Ògún e Ìsèdélè.

  2. Osààrá : “aquela que foi abençoada com muitos filhos”, é cultuada no santuário de Olóòkun e sua festa anual chama-se Àgbon.

  3. Omìtótó-Òsé : uma das favoritas, mãe de Ajíbogun, que veio a ser o Owá Obòkun, que fundou as cidades de Ìbòkun e Ilésà. Alguns dizem, que ela (Omìtótó) adotou ou foi mãe de Obàloràn, natural de Ìloràn, que foi chefe de Ilódè, cidade natal de sua mãe. Outros ainda dizem, que ele foi filho de Sàpàrákùnní, então donzela de rara beleza que vivia com sua irmã Omìtótó, e que Odùduwà visitava esta casa com muita frequência, onde teve noites de intenso amor. Com isso, conheceu e apaixonou-se por Omìtótó, com quem, depois, se casou.

  4. Ojùmmu-Yàndà : à que fez esforços sucessivos para conter e mediar às longas disputas entre Odùduwà eObàtálá.

  5. Lakanje : também conhecida como Aníhunka, a mais bela e sensual das esposas, a mãe de Òrànmíyàn.

  6. Omonide : que teve vários filhos com Odùduwà, entre eles, alguns que se tornaram Oba, como o Alákétu e o Aláké. Dizem também, que ela ou um dos seus descendentes foi quem fundou a cidade de Abéòkuta.

  7. Ogunfunminire : dizem que foi mãe de muitos filhos de Odùduwà e foi quem fundou a cidade de Lagos.

  8. Yèyémòólú : foi a mais velha (em idade) de todas as esposas, tinha a responsabilidade de supervisionar toda à alimentação servida a seu esposo. Dizem, que se transformou em um poço de água potável, e extremamente saudável. Por esse e outros motivos, todos os Óònì que reinaram e reinarão em Ifè, sem “casam” primeiramente com “ela” antes de morarem definitivamente no palácio como Óònì, onde até hoje existe o poço que Yèyémòólú se transformou e onde é reverenciada.

  9. Àtìbà : para uns ela não teve filhos, para outros foi a mãe dos Oba Osemofarawe e Ebumàwe que foi o fundador da cidade de Àgó-Ìwòyè. Foi uma das esposas que mais idade tinha, e se transformou numa pequena peça de granito, hoje na entrada do Museu de Ifè.

  10. Ogido : ……………. sem dados.

Oduduwa, foneticamente escrito como Odùduwà, e às vezes contraído como Odudua, Oòdua e Oduduá, é uma das divindades primordiais iorubas. Ela representa a divinização da terra e é considerada, ao lado de Obatalá (a representação divinizada do céu), como o casal primordial e propulsor da criação. Cada um foi incumbido de determinadas funções no papel da criação do Aiyê, o universo incluindo o mundo em que vivemos. O universo é visto dentro do culto aos orixás como uma grande cabaça e esta cabaça é representada por Oduduá e Obatalá. Oduduá é considerada como a parte de baixo da cabaça e Obatalá é considerado como a parte de cima da cabaça.

O nome Oduduá pode ser traduzido como “a cabaça de onde jorrou a vida”. Muitos costumam se enganar e afirmar que Oduduá seria um orixá masculino ao invés de feminino, mas o que ocorre é uma confusão entre a divindade feminina Oduduá com o ancestral iorubano divinizado Oduduá, que, na verdade, é considerado em território africano como sendo uma forma humana da deusa Oduduá, ou seja, o guerreiro legendário e a deusa Oduduá seriam as mesmas pessoas. Esta é uma visão muito ampla no que concerne à essência divina mas isso é algo que vai muito além da capacidade de aceitação de algumas pessoas e sacerdotes.

O surgimento de Oduduá, bem como o de Obatalá, é muito interessante. Diz-se que involuntariamente nos primórdios da criação, quando a única coisa existente nos mundos era o Olorun, a grande energia primordial, Oduduá, a deusa, surgiu do corpo de Olorun, a grande energia primordial, assim como Obatalá e outra tantas divindades.

Foi Oduduá quem criou a terra e todo o universo como o conhecemos e, ao lado de Obatalá, possibilitou o surgimento da vida.

Segundo Pierre Verger (1982, pp. 3-10) – (A cidade de) Ilé Ifé, chamada de berço da civilização, […] divinizou os fundadores da dinastia que nelas reinaram – Oduduá [de Ifé] […] foi o herói criador do mundo que chegou (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 – “Os Àgbàgbà“) do Além tendo recebido do Ser Supremo, Olodumare, o saco da criação contendo uma substância escura, de natureza até então desconhecida. Essa substância, lançada sobre a superfície das primeiras águas, formou um montículo de terra sobre o qual pousou uma galinha com cinco dedos. A galinha começou a arranhar o monte com os pés e com o bico e espalhou a matéria que recobriu pouco a pouco as águas e formou a crosta terrestre, da qual Oduduá, […] se tornou senhor. (Cf. em Barretti Fº, (1984/2003) 2012 – “Ilê-Ifé a Origem do Mundo.“)

Em Ifé, [o mito] se complica com uma rivalidade entre Obatalá (também chamado Orixalá), enviado por Olodumaré para criar o mundo e Oduduá, que se aproveitou de um momento de intemperança de seu rival, o qual, tendo bebido em excesso vinho de palma quando estava a caminho para cumprir a sua tarefa, embriagou-se, caiu e adormeceu. Oduduá, que vinha atrás, surrupiou o saco da criação e tornou-se assim, ele próprio e em seu lugar, o senhor do mundo (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 – “Odùduwà – Óòni Ifè“). Mais tarde, quando se reencontraram, Oduduá e Obatalá discutiram e lutaram ferozmente. Detalhes sobre esse assunto foram dados em outra obra (Verger, 1965: cap.II e III).

Essa lenda da criação do mundo por Oduduá só se tornou conhecida do grande público e dos etnólogos em 1912. […] (e) Foi preciso esperar até 1921 para que The History of the Yoruba fosse publicada pelo reverendo S. Johnson (Johnson, 1921), cujo manuscrito data de 1897.

  • A confusão criada pelo Padre Baudin

Falamos acima da criação do mundo por Oduduá em Ifé e da rivalidade que o opôs a Obatalá (Orixalá), de quem roubou o saco da criação. Os nomes desses orixás aparecem impressos pela primeira vez, que eu saiba, em 1852, no vocabulário da língua iorubá de Crowther (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 – “Os Clérigos Nativos Yorùbá“)

O autor indica em rubricas separadas, por um lado, que “Oduá ou Oduduá (Crowther, op.cit.: 207) é uma deusa de Ifê, tida como a suprema deusa do mundo” e acrescenta que “o céu e a terra são duas grandes cabaças (ele queria dizer meias cabaças, igbá), que, uma vez fechadas (ou mais precisamente, colocadas uma sobre a outra, formando um recipiente fechado), não podem ser abertas (separadas)”. Afirma ainda que havia “uma alusão à aparente concavidade do céu, que parece tocar a terra no horizonte”. Por outro lado, indica que “Obatalá (é) a grande deusa iorubá, a artesã do corpo da matriz” (ib.: 228). Ao mesmo tempo, Orixalá é indicado como sendo “a grande deusa Obatalá” (ib.: 223). Já assinalamos a tendência de Crowther a chamar os deuses de deusas, mas é evidente que nos encontramos na presença de duas divindades distintas: Oduduá e Obatalá (Orixalá).

O padre Baudin despoja em seguida Obatalá e Oduduá de seu caráter hermafrodita para separá-los “em duas divindades perfeitamente distintas”, que são então representadas separadamente: Obatalá sob a forma de um guerreiro e Oduduá sob a forma de uma mulher amamentando uma criança.

  • Os compiladores e discípulos do padre Baudin.

O Tenente Coronel A. E. Ellis publicou, por sua vez, em 1894, as mesmas divagações, cuidadosamente copiadas por ele do livro do padre Baudin, e, para melhor completar o sistema dualista do tema da falsa dupla Oduduá-Obatalá e o tornar comparável à do Yang e do Yin chinês, não hesitou em aproximar a “deusa” Oduduá de dudu (Ellis, 1894) negro em iorubá, para a opor a funfun (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 – “Os Òrìṣà Funfun“), a cor branca de Obatalá. Mas o tenente-coronel britânico não levou em conta as diferenças de tons (de uma importância primordial em iorubá) existentes entre essas duas palavras.

Trata-se de um sistema dualista, mas correspondente, como vimos, ao casal Orixalá-Yemowo, visível sob a forma de estátuas instaladas lado a lado no ilésin, lugar de adoração do templo de Obatalá em Idetá-Ilé, no bairro Itapa em Ifé, (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 – “No Templo de Ọbàtálá: Ìdèta-Ilé“) muito diferente do casal Orixalá-Oduduá que, unicamente para o padre Baudin e seus discípulos, seria constituído por dois elementos machos. A tradição de Ifé não deixa nenhuma dúvida sobre o caráter agressivo, hostil, antagônico, das relações existentes entre Orixalá e Oduduá, que longe de uni-los num casal geneticamente estéril, os separa e os opõe como se depreende da história antiga do povo Iorubá.

[…] (portanto) Oduduá é do sexo masculino, guerreiro viril, vencedor dos Igbo, fundador de Ifé, pai de numerosos reis (Cf. em Barretti Fº, (2003) 2012 – “As Esposas deOdùduwà” e “Descentes de Odùduwà: filhos e/ou netos”) e soberano de diversas regiões iorubás.

Brasil

É um orixá, Odùduà – Oduduwa – Odùduwà, que foi um rei que teria vindo do leste no momento das correntes migratórias causadas por uma invasão berbere no Egito. Segundo Pierre Verger, esse fato provocou deslocamentos de populações inteiras, expulsando-se progressivamente umas às outras, em direção ao oeste, para terminar emBorgu, também chamada região dos Baribas. O rei Oduduwa ou Oduwa, era o pai de Oranian o fundador de Oyo.

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Oluwo Ifagboun Ajisafe

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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Uma resposta

  1. Boa Tarde!

    O Senhor poderia falar algo sobre Ìsèdélè, onde viveu, para qual canto da africa ela partiu.

    Quando vemos as histórias de Ile ifé sabemos quais caminhos Ogum e Oranian tomaram, porem Ìsèdélè só é citada como Filha de Olokun e irmã de Ogum.

    Mas quem foi ela na História?

    Desde já Agradeço,

    Salatiel Silva – Oya Guigedan

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