
O PRINCÍPIO DA DESTRUIÇÃO DO MUNDO
Dinheiro e morte junto tiveram êxito em dobrar a espinha das divindades, por que eles tinham ignorado totalmente as leis de céu quando vieram ao mundo. Foi por fim a mais forte divindade (Infortúnio ou Obstáculo) a vir e acabar por levá-los para cima (?). Ele deixou o palácio de Deus com instruções claras de voltar com o resto das divindades. Ele foi com sua Akpo minijekun para capturar e trazê-los de volta aos céus. Entrementes Ọrúnmìlá, fez sua adivinhação diária numa manhã e viu que uma catástrofe estava se aproximando, Ele foi avisado por Ifá a preparar um banquete elaborado para uma poderosa visita que estava vindo do céu. Ele foi informado que haveria um sinal aparecendo no horízonte três dias antes da chegada do visitante.
No dia da chegada do visitante ele agruparia todos os seus seguidores e dançariam em cortejo de sua casa até o prédio administrativo (prefeitura) aonde eles dançariam e cantariam em louvor ao visitante. Da “prefeitura” ele o convidaria para um banquete em sua casa. Aquela era a única maneira que ele poderia salvar a si mesmo de uma catástrofe iminente. Ele fez conforme lhe foi dito.
Por volta de sete dias depois ele viu uma estrela vermelha aparecendo no céu e ele percebeu que o visitante estava a caminho. Ele fez a preparação que tinha sido avisado a fazer e foi no máximo da prontidão.
Desconhecido para ele, o visitante já estava no mundo. Divindade do Infortúnio, o mais poderoso de todos eles, estava por perto. Sua primeira escala foi na casa de Ògún. Ele encontrou Ògún em sua oficina e rapidamente o transformou em folha e o embolsou. Ele fez a mesma coisa com todas as outras divindades durante os próximos três dias. No terceiro dia ele tinha aprisionado a todos eles dentro de sua bolsa e era hora de ir a Ọrúnmìlá. Quando ele estava seguindo para a casa de Ọrúnmìlá, ele encontrou uma procissão de cantores e dançarinos louvando. Eles lhe deram Obi para comer e água fresca para beber, chamando o de Pai de todos eles e amigo divino íntimo de Deus Todo Poderoso.
Pela primeira vez desde sua chegada ao mundo, Infortúnio sorriu. Ọrúnmìlá então apareceu e lhe disse que desconfiava de ele estar muito faminto e tinha preparado um banquete para ele.
Ele os seguiu até a casa do líder da procissão entre canções e danças. Chegando na casa de Ọrúnmìlá, o visitante celeste foi elaboradamente banqueteado com suas comidas mais importantes e ele estava muitíssimo feliz. No final do banquete comentou que se todas as outras divindades fossem tão magnânimas quanto Ọrúnmìlá, o céu não teria sido repleto de novidades de atrocidades na terra.
Ele contou a Ọrúnmìlá e seus seguidores que Deus não tinha destinado o mundo a ser um antônimo, mas um sinônimo do céu. Ele relatou que Deus estava determinado a destruir o mundo ao invés de permiti-lo continuar como um constrangimento à boa imagem e reflexo de Deus.
Ele quis saber se Ọrúnmìlá com sua Sabedoría poderia fazer um lugar melhor, ele respondeu que a tarefa não era fácil, mas que ele continuaria a fazer o seu melhor.
Com isto Infortúnio deu-lhe a bolsa contendo todas as outras divindades e declarou que a partir daí, ele passava a ter autorídade sobre todos eles.
Isto explica por que os únicos divinadores que tem êxito nos caminhos do céu são aqueles que têm o apoio e a cooperação de Òrúnmìlá a partir deste dia. Ser um sacerdote de Ògún, sacerdote de Olokin, sacerdote de Şàngó, etc, a não ser que eles tenham seu próprio Ifá, eles não têm as bênçãos do céu. De outro modo eles se tornam vítimas de todos os tipos de obstáculos.
A DESTRUIÇÃO FINAL DO MUNDO
Tão logo as divindades recuperaram sua liberdade então voltaram para suas brigas fratricidas. Eles estavam particularmente enfurecidos pois compreendiam que foi Ọrúnmìlá quem realizou seu salvamento das frias mãos do Infortúnio.
Novidades de suas atrocidades continuavam a chegar aos céus. Deus tinha sido informado que Ọrúnmìlá foi à única divindade que estava agindo pelas leis do céu na terra. Deus então convocou a palmeira a ir a terra providenciar uma plataforma para Òrúnmìlá retornar ao céu com seus seguidores. Uma noite Ọrúnmìlá foi convocado pelo seu “anjo guardião” (seu duplo) a organizar a subida na palmeira a qual tinha rapidamente crescido na frente de sua casa. Ele tinha recebido três dias para se preparar. Ele subiu na palmeira e pediu para todos os seus seguidores subirem depois dele. Visto que eles alcançaram o cume da palmeira, eles todos foram absorvido para dentro do céu.
Assim que todos eles estavam em segurança no céu, seguiu-se um aguaceiro de chuva que alagou e consumiu o mundo. Aquele foi o fim da divinosfera e a primeira tentativa de criar uma habitação na terra. Pode ser observado pelas amostras anteriores que o mal participou muito pouco ou não fez parte da destruição do mundo.
A SEGUNDA MORADIA NA TERRA
Ọrúnmìlá revela que se passaram sete gerações no céu antes que Deus decidisse lançar-se em uma segunda experiência para a habitação da terra.
As divindades haviam argumentado que a primeira tentativa falhou porque houve cozinheiros demais preparando a sopa. Deus rendeu-se as sugestões das divindades e decidiu dar a cada um deles a chance de expor suas aptidões. Foi Elenini a divindade do infortúnio quem propôs que a Ògún, o engenheiro, seria dada a primeira tentativa. Ògún aceitou o desafio e decidiu sem demora partir para a missão. Este é o motivo porque ele é considerado como o descobridor de caminhos, o desbravador do universo.
Alagbede (Ògún) o metal, ferro divino, foi então enviado por Deus para preparar o caminho para os outros. Como ferreiro da divinosfera (o mundo das divindades), ele foi implantar a infra-estrutura para os outros construírem no mundo. Ògún era contudo, tão egocêntrico que ele não viu motivo em consultar mais alguém no céu para se aconselhar antes da partida com seus seguidores em sua missão. Ele partiu para a terra com seus 200 seguidores sem se incomodar em fazer as devidas preparações para alimentá-los na terra. Ele achou que estabelecer uma moradia num ambiente virgem era como ir para a guerra. Ògún também é uma divindade guerreira. Quando ele vai para a guerra, ele vai sem provisão alguma para se alimentar. Ele come do que seu exército pilha, ao longo da trilha. Ele veio para a terra com a mesma suposição. Logo eles chegaram à zona cinza (?) entre o
céu e a terra. A zona cinza é chamada Hades, que é a casa dos Imere (Aiku em Yorùbá e Igbakhuan em Bini). A partir daí eles se lançaram para a zona negra da fronteira, aonde não havia luz do sol.
Era chamada Erebu. Muitos viajantes costumavam se perder naquela zona, na época quando as pessoas viajavam livremente entre o céu e a terra. Uma vez que se aproximavam da escuridão do útero feminino assim era para os viajantes que estavam vindo para o mundo. Chegando na terra, ele colocou os seus homens para trabalhar sem demora, preparando residências temporárias e estradas.
Na manhã seguinte seus 200 seguidores mortais perguntaram a ele o que eles iriam comer. Já que não havia comida por perto. Ele disse-lhes para cortar lascas (pedaços de pau) do mato em volta para comer. Eles comeram as lascas apenas para alegrar seus corações, mas só aguçaram seus tubos digestivos. Com 14 dias ele tinha perdido mais da metade de seus seguidores mortais para a inanição.
Ele foi deixado sem opção, exceto baterem em retirada para o céu com o restante enfraquecido para contar a Deus que ele não tinha comida com a qual alimentar seus seguidores. Assim foi como Ògún abandonou sua missão e retornou ao céu.
Em seguida Deus convidou a divindade da água (Olokún) para ir ao mundo estabelecer uma
moradia provisória.
A ele também foram determinadas 200 pessoas para acompanhá-lo ao mundo.
Como Ògún, Olokún também partiu sem fazer as preparações adequadas para a viagem. Chegando na terra, os seguidores da divindade da água também lhe perguntaram o que eles iriam comer e ele lhes deu água para beber, a qual falhou no fornecimento de nutrientes. Como seus seguidores estavam se tornando escassos devido à inanição, Olokún, como Ògún, retornou ao céu para informar do fracasso de sua missão.
Deus convocou um número de outras divindades para esta incumbência, mas eles polidamente declinaram em ir, já que eles duvidavam se teriam alguma chance de sucesso na missão a qual tinha desafiado os esforços de seus irmãos mais velhos; Ògún e Olokún. Determinado a instalar uma habitação no mundo, Deus finalmente convidou Ọrúnmìlá (a Sabedoría divina) a fazer uma tentativa. Ọrúnmìlá imediatamente buscou conselho dos irmãos celestes mais velhos que o aconselharam a procurar a assistência de Èşu. Ele fez sacrifício para Èşu, que o recomendou ir ao mundo com uma bagagem contendo amostra de todos os gêneros alimentícios, pássaros, répteis,animais, etc., disponíveis no céu.
Ele coletou todos os itens em sua sacola de adivinhação chamada (Akpo-minijekun em Yorùbá e Agbavoko em Bini) e pegou seus seguidores para levá-los com ele para o mundo. Esta misteriosa sacola tinha características espetaculares. Fazer com que o que quer que fosse colocado nela se tornasse mais leve, e produzir tudo o que dela fosse exigido.
Contudo Ọrúnmìlá cometeu um engano inicial, em não avisar seus colegas mais velhos, Ògún e Olokún, que tinham feito anteriormente esforços em vão para se estabelecer no mundo. Como ele partiu do céu para sua jornada, Èşu foi zombar de Ògún e Olokún, que Ọrúnmìlá havia buscado e conseguido a liberação dele antes da partida para o mundo, e que ele estava indo para ter pleno sucesso onde eles tinham falhado. Ele revelou-lhes que suas falhas formam seu castigo por não terem buscado e não terem recrutado seu apoio antes de ir para a terra. Ele os fez se lembrar do provérbio celeste de que “O cão segue apenas aqueles que o tratam com benevolência.”
Por inveja e raiva, Ògún criou uma espessa floresta para obstruir o caminho, ele tinha chegado antes
ao mundo.
Chegando naquele ponto Ọrúnmìlá e seus seguidores não puderam prosseguir, pois eles careciam de instrumentos para limpar seu caminho através da floresta. Enquanto esperavam, o rato ofereceu-se para traçar o caminho para a terra. Ele realmente traçou o caminho porém sendo um animal pequenino, o caminho que ele limpou não era largo e forte o suficiente para proporcionar a passagem adequada de uma figura humana.
Foi neste estágio que Ọrúnmìlá chamou Ògún para ajudá-lo. Ògún compareceu e repreendeu Ọrúnmìlá por não tê-lo comunicado antes de partir para o mundo. Ọrúnmìlá imediatamente se desculpou com Ògún e explicou que longe dele ignorá-lo, ele tinha na realidade pedido a Èşù para informá-lo de sua iminente jornada para a terra. Quando Ògún relembrou que Èşu realmente viera avisá-lo, ele se calou e concordou em limpar a rota que ele havia bloqueado. Todavia ele informou Ọrúnmìlá que já na terra, ele alimentaria seus seguidores com a mesma comida (lascas) com que ele (Ògún) tinha alimentado seus seguidores durante sua breve permanência na terra. Deste modo a floresta foi removida e Ọrúnmìlá continuou sua jornada com seus seguidores.
Antes de Ọrúnmìlá atingir o Erebus, a fronteira entre o céu e a terra, Olokum também criou um obstáculo, um enorme rio para interceptar o caminho recém construído por Ògún para o mundo.
Quando ele e seus seguidores chegaram à margem do rio, não puderam prosseguir em sua viagem. Depois de rondar durante algum tempo, Olokún surgiu e questionou Ọrúnmìlá por ter ousado partir para o mundo sem tê-lo comunicado. Novamente Ọrúnmìlá se desculpou e explicou que ele tinha na verdade, antes da partida, enviado Èşù para avisá-lo de seu propósito de viajar para a terra.
Relembrando que de fato Èşu o tinha informado, Olokún perdoou Ọrúnmìlá e secou
instantaneamente o rio para que Ọrúnmìlá e sua equipe prosseguissem para o mundo.
Contudo antes de partir Olokún recomendou a Ọrúnmìlá a fazer o que ele fez para alimentar seus seguidores, com água, quando chegassem ao mundo.
Com essas prescrições Ọrúnmìlá entrou no mundo. O ponto no qual eles entraram era uma floresta muito densa, então ele rapidamente convocou seus seguidores para construir habitações temporárias para eles mesmos enquanto ele estava ocupado plantando produtos agrícolas que trouxe do céu.
De modo que estando sendo plantados, Èşu interveio e os fez desenvolver-se e produzir frutas no mesmo dia do seu plantio. Na manhã seguinte os produtos agrícolas estavam todos prontos para serem colhidos. Estes incluíam milho, um tipo de bananeira, inhames, coqueiros, etc, e uma variedade de frutas. Os pássaros e animais que ele trouxe também se multiplicaram da noite para o dia através das maquinações de Èşu e eles também estavam prontos para o abate ao amanhecer.
Pela manhã os seguidores de Ọrúnmìlá se reuniram para perguntar por sua comida, em respeito à promessa feita a Ògún no céu, de alimentar seu povo como ele havia feito, Ọrúnmìlá deu lascas de madeira para todos eles. Depois ele também respeitou a promessa feita a Olókun, dando lhes água para beber.
Isto é muito simbólico, por que a partir daí a tradição foi estabelecida de que os seres humanos iniciariam seus dias mascando lascas para limpar os dentes. Isto é seguido pelo uso da água para enxaguar suas bocas.
Esta tradição sobreviveu até os dias de hoje se bem que com pequenas modificações, como o uso da escova de dente e pastas com as quais ainda assim se aproximam da mastigação das lascas. Após a escovação dos dentes a água ainda é usada para enxaguar a boca.
Após ter dado as lascas e a água para seus seguidores, eles ainda estavam perguntando por sua comida. Ele lhes informou para irem à fazenda que tinha então florescido e colher os gêneros alimentícios para comerem. Eles tiveram um dia no campo e começaram a comer todo tipo de alimento para alegrar seus corações. Os animais e pássaros também estavam disponíveis em abundância para proporcionar carne para todos eles. Dali em diante eles permaneceram alegremente na terra como seus primeiros habitantes.
Mais tarde Ọrúnmìlá viajou para o céu para informar seu sucesso a Deus, e todas as outras
divindades começaram a ir para o mundo uma após a outra com suas comitivas de seguidores.
Nós poderemos ver nos próximos capítulos e volumes, que os feitos de Ọrúnmìlá evocaram a inimizade para ele das outras divindades. Isto é a interminável inveja no mundo de hoje entre os ativos e os vagabundos, excelência e indolência, sucesso e fracasso e todas as outras forças positivas e negativas, que afetam as vidas dos seres humanos.
Isto explica porque aqueles que se esforçam em ter sucesso se expõem ao descontentamento daqueles que tentam e falham ou aqueles que se recusam a tentar tudo. É importante relembrar neste estágio, que tudo que nós fazemos que nos beneficia na vida é em função do roteiro divino, acompanhado ao mundo por seu ancestral Oríginal que estabeleceu uma habitação humana na terra.
Os adeptos de Ifá são hoje descendentes do primeiro conjunto de seres humanos que seguiram Ọrúnmìlá ao mundo. O mesmo é verdade de Ògún e seus seguidores, Şàngó e seus seguidores, Olokún e seus adeptos, Sankpana e seus fiéis, etc., etc.
Nesse ínterim, Ọrúnmìlá foi ao céu para informar do sucesso de seus esforços ao Pai Todo
Poderoso. Chegando, Ọrúnmìlá reportou o sucesso de sua primeira missão a Deus e finalmente ao Conselho de Divindades. As novidades do seu sucesso forma recebidas com murmúrios de inveja e marcou o início do encerramento da afinidade que existiu entre as divindades. Neste ponto, se demonstra que ao contrário do que se tem acreditado Èşu não é o culpado por todo o azar, porque ele é apenas a personificação do mal, e não o mal em si.
Nós poderemos ver mais tarde que apesar de não ter o poder de criação, ele tem habilidade para mutilar qualquer coisa e qualquer um que foi criado, o que é esperado, pois Deus se apresenta para neutralizar as forças das trevas as quais Èşu representa. Assim Èşu garante que longe de serem eliminadas, as forças do mal continuam prosperando.
Este combate tem continuado para expressar por si mesmo a preponderância do mal sobre o bem na terra, até o presente momento pelo menos. Nós veremos mais sobre estes argumentos quando formos analisar a influência de Èşu no firmamento.
Na cabeça de muitas divindades perversas, é a Divindade da Morte quem é responsável pela morte de todos os seres vivos criado por Deus. Na verdade nós veremos que ele é a única divindade que se alimenta diretamente dos seres humanos; a qual era a mais contente entre todas as divindades quando o homem foi criado por Deus. Ele exclamou na criação do homem, “Finalmente Deus criou um alimento básico (apetecível) para mim!”
Ele apanha suas vítimas por meio das quatro divindades mais agressivas. O primeiro deles é Ògún, que é responsável por toda destruição que resulta da luta, fogo, guerras e acidentes. Ele dizima por grandes quantidades. Há Şàngó, que também destrói apesar de fazê-lo só quando suas vítimas infringiram leis naturais. Há Sankpana que destrói indiscriminadamente através das epidemias e doenças divinas; a qual é a esposa da morte e quem destrói pela eutanásia. Também há a Noite Divina, que destrói seres inocentes pela multidão. Todas estas divindades são criadas por Deus e tem seu poder dado por Ele. Nós veremos que a mais poderosa de todas as divindades criadas por Deus é o Infortúnio ou Obstáculo. Ele é a divindade mais chegada a Deus, por ser o responsável pelo Palácio Divino.
Muitas destas divindades assumiram imediatamente uma postura agressiva no momento em que souberam que Ọrúnmìlá tinha roubado a cena deles. Eles imediatamente votaram em ir e destruir o mundo estabelecido por Ọrúnmìlá.
De sua parte, ele rapidamente convocou Èşu para auxiliá-lo, o qual disse para não se preocupar. Èşu garantiu a Ọrúnmìlá que as divindades belicosas destruiriam a si mesmas antes de destruir o mundo criado por ele. Ọrúnmìlá também foi à divindade Obstáculo/Elenini e banqueteou-o elaboradamente para angariar o seu suporte e cooperação. Enquanto isso, todas essas divindades começaram a fazer planos para sua viagem a terra.
OYEKU MEJI nos revelará mais tarde como todos eles partiram para o mundo e como se levou três anos para lá chegar.
Ọrúnmìlá tinha sido avisado pela divinação para se certificar, que era por fim autorízado a viajar para a terra. Ele também foi advertido que haveria uma chuva torrencial na terra que durariam mil dias e noites. Ele desafiou a chuva e não procurou nenhum abrigo antes de chegar ao seu destino.
Uma após a outra, as divindades partiram para a terra, chegando na fronteira, descobriram que teriam que atravessar o último rio no céu com uma minúscula ponte de corda, a qual só poderia acomodar um passante de cada vez. Levaram bastante tempo para atravessar o caminho possível do rio. Chegando ao Erebus, região de trevas contínuas, descobriram que estava chovendo e todos começaram a procurar abrigo aonde pudessem permanecer. Todos seus planos para destruição do mundo tinham-se evaporado no ar rarefeito, como resultado das dificuldades que eles encontraram no caminho tramadas por Èşu . Entre as divindades amigáveis que estavam no caminho de Ọrúnmìlá, estava Ule (casa) e Ìgèdè (feitiçaria/encantamento). Ule, que não faz movimento pediu a Ọrúnmìlá para carregá-la em sua bolsa divinatória. Ìgèdè, que não tinha membros informou a Ọrúnmìlá que a batalha que o esperava na terra seria muito árdua, portanto ele o advertiu para leválo
engolindo-o, auxiliando o então em tudo aquilo que ele disse que Ọrúnmìlá viria a passar.
Ọrúnmìlá atendeu os dois pedidos.
De modo que avisado, ele esperava por tudo das divindades agressivas que partiram para a terra antes que ele fosse. Quando ele chegou na margem do rio, encontrou somente uma divindade esquerda (Òsi).
Era a Rainha da Feitiçaria/Bruxaria (chamada Iyami Osoronga em Yorùbá e Iyenigheekpe em Bini). Ela também estava fraca para atravessar a ponte. Ela tinha implorado a todas as outras divindades para ajudá-la a atravessar a ponte, mas todos eles recusaram, porque tradicionalmente tinham medo dela.
Quando ela viu Ọrúnmìlá vindo, ela lhe implorou para ajudá-la, mas ele lhe respondeu dizendo que a ponte podia apenas com um único ocupante por vez. Então ela propôs que Ọrúnmìlá abrisse sua boca para ela voar para dentro, prometendo sair no final da aponte. Com o que Ọrúnmìlá foi obrigado a aceitar. Ele tinha ignorado o fato de que ela era a única divindade que jurou destruí-lo na terra. Na cabeceira da ponte, Ọrúnmìlá disse-lhe para sair, mas ela se recusou com base em que seu estômago era o domicílio ideal para ela. Ele blefou que ela passaria fome dentro do seu estômago, mas ela cancelou o blefe, tomando um pedaço de seu intestino e dizendo-lhe que toda sua comida básica era abundante dentro dele. (Coração, fígado, intestinos, etc)
Percebendo o risco em tinha se envolvido, ele rapidamente usou seu instrumento de divinação para buscar a solução. Ele tirou uma cabra de sua sacola, sacrificou e a cozinhou. Estando o cozido preparado, ele a convidou para vir para fora para comer, mas ela disse que ela só poderia comer em particular. Ele então conseguiu uma roupa branca e fez uma barraca improvisada com ela. Ela então saiu e se escondeu dentro da tenda e comeu a carne de cabra. Enquanto ela estava apreciando a sua refeição, Ọrúnmìlá desapareceu na escuridão do Erebus, enfrentando a chuva e sem olhar para trás, e continuou sua jornada sem parar. Ele encontrou as outras divindades buscando abrigo em um ponto ou outro na beira da estrada.
Em conformidade com o aviso que ele tinha recebido no céu, ele continuou na sua jornada abaixo de chuva, até que ele alcançou seu destino.
Ele foi recebido alegremente pelos seus seguidores que estavam começando a se perguntar por que ele tinha demorado tanto na volta.
Chegando em casa, ele pediu a Ìgèdè e Ule para descerem. Ule desceu mas morreu
instantaneamente, enquanto Ìgèdè lhe disse que ele seria mais eficaz dentro do seu estômago. Isto mostra porque é a única divindade com capacidade de conjurar com palavras faladas.
Ele pediu a seus seguidores para prepararem uma sepultura adequada para Ule. Como ele foi colocado de lado esperando o funeral, o acontecimento mais maravilhoso desde o estabelecimento do mundo, ocorreu.
Linhas de casas repentinamente começaram a saltar sobre toda a colônia, parecidas com os tipos de casa que eles tinham no céu. Era o início da formação arquitetônica do mundo. No lugar das cabanas construídas antes pelos seguidores de Ọrúnmìlá, edifícios palacianos começaram a surgir em toda a volta.
A VINDA DAS OUTRAS DIVINDADES
Aqueles que acharam abrigo da chuva, se alojaram permanentemente em todo tipo de lugar sujo, durante toda a duração da chuva. Na hora em que a chuva se acalmou, eles já tinham se acostumado com suas acomodações improvisadas e não viam motivo para saírem delas. Este é o motivo pelo qual, divindades como Ògún, Şàngó, Olokún, Ovia, Ake, Sankpana, Uwen, Ora, Leron, etc,…, têm seus altares feitos fora de casa a partir deste dia.
Ọrúnmìlá sendo o único que veio direto para sua casa, desafiando a chuva, é a única divindade (exceto Oríşa N’La, que veio depois), a ser estabelecido e servido em casa.
Relembrando que as divindades agressivas que vieram para o mundo com Ọrúnmìlá, o fizeram portando com a única determinação, vir e destruir o mundo construído por ele.
Infelizmente eles estavam despreparados para a viajem, porque não tiveram a autorízação formal de Deus antes de partirem do céu. Na chegada ao mundo, logo descobriram que sem esta autorízação eles não poderiam realizar os seus intentos. Então se reuniram e decidiram retornar ao céu para obter a autorízação adequada de Deus.
Guiados por Ògún, o mais velho deles, partiram para o céu. Chegando ao Palácio de Deus, eles pediram a Autorídade Divina (AŞẸ), com a qual se faz e desfaz. Já que Deus não recusa nenhum pedido, Ele lhes deu, e cada um deles cedeu seu próprio AŞẸ para Ògún mantê-los sob custódia.
Qualquer um que quisesse fazer uso do seu próprio AŞẸ ia a Ògún para recobrá-lo e devolvê-lo depois de feito uso.
Com este instrumento de autorídade, eles começaram a criar toda sorte de problemas para Ọrúnmìlá e seus seguidores, que por sua vez começaram a fazer todos os tipos de sacrifício para defender a si mesmos contra os maus desígnios das divindades agressivas. Quando chegou no ponto em que Ọrúnmìlá e seus seguidores tinham usado todo seu dinheiro para fazer sacrifícios para dissipar as armações maléficas das demais divindades, ele resolveu perguntar ao seu “guardião” o que fazer a esse respeito.
Ele foi avisado a preparar um novo encantamento especial, referido como Gbetugbetu em Yorùbá, ou Ataighimua em Bini. Depois de prepará-lo, ele o utilizou em visita a Ògún e pediu-lhe para entregar todos os AŞẸ que ele tinha sob sua custódia. Com este encantamento é possível invocar qualquer um conduzindo-o como ordenar o usuário. Por esta razão Ọrúnmìlá preparou o encantamento conforme o combinado e fez visita a Ògún. Chegando na casa de Ògún, Ọrúnmìlá disse-lhe que ele veio para levar todos os AŞẸ com ele. Sem nenhuma hesitação qualquer que seja, Ògún foi até seu tesouro e o trouxe todo para fora e o entregou para Ọrúnmìlá. Com o AŞẸ em suas mãos Ọrúnmìlá foi para casa e chegando engoliu a todos os AŞẸ.
Cinco dias depois, Ògún quis usar seu próprio AŞẸ e foi ao seu tesouro buscá-lo. Para seu espanto descobriu que não apenas não localizava o seu próprio AŞẸ, como também todos os pertencentes as demais divindades tinham desaparecido.
Ele tentou relembrar quem o visitou durante os cinco dias, mas já que sua memória havia lhe falhado, ele decidiu checar com as divindades. Ele foi primeiro a casa de Ọrúnmìlá perguntar se ele foi até sua casa coletar o seu AŞẸ. Ọrúnmìlá negou tê-lo visitado alguma vez, e tê-lo deixado em paz para capturar os AŞẸ dele. Com o AŞẸ divino desaparecido, Ọrúnmìlá e seus seguidores tiveram uma trégua e começaram a levar a vida alegremente e em paz.
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Oluwo Ifagboun Ajisafe
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