
O divisor de águas: entre Meca e Salvador
E aqui, a religião se dividiu, entre os que já foram à Nigéria e ao Benin (e brevemente a Angola, seguindo um tardio processo de reafricanização da Tradição de Inkisse), Meca recém descoberta do candomblecista, moderno referencial que tirou os louros de Salvador,
antes o coração brasileiro do ASE, e os que pretendem ir, mas não podem, e os que eventualmente negam a necessidade, ou a vontade, por desnecessária.
A viagem em si é importante, seja ela curta ou longa, uma peregrinação religiosa ou um fim turístico consumista.
O status “já esteve na África” é palpável no Candomblé.
E os visionários, os convertidos, aquela minoria que foi e voltou crendo que ÒRÌSÀ é tudo, o começo, o meio e o fim, abominando a feitiçaria, meio de vida do sacerdote afro-brasileiro, se apoiando em ÒRÚNMÌLÀ como base da crença, estudando e decorando avidamente os
versos de IFÁ, para recuperar o tempo perdido resgatando cerimônias rituais, sacramentos como o batismo e o casamento (porque o Candomblé é uma religião sem sacramentos obrigando seus fiéis a procurarem a Igreja Católica oficial para sua realização) insistindo na abolição do sincretismo, por desnecessário, pregando a necessidade de se falar
fluentemente o Iorubá, divulgando rezas e mitos originais dos ÒRÌSÀ,falando da necessidade do segmento religioso do Candomblé ter obras sociais a par de suas festas, da melhor ocupação do farto espaço dos Templos.
Que poderia ser preenchido com atividades comunitárias, realizadas por sacerdotes e devotos, louvando o orgulho de ser tradicionalista, dispensando o acréscimo do cristianismo, transformando seus Templos em Tribos e Aldeias plenos de ASE, a este crente, encharcado pelo amor aos ÒRÌSÀ, alucinado pela visão de uma religião dos ÒRÌSÀ, a este, tudo é negado…
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