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ORIKI ÌYÁMI ÒSÒRÓNGÀ

 IYA WA!       IYA WA!       IYA WA!

 OPIKI ELESE OSUN

 ARIYI, ROUN

 ATERERE KARI AYE

 EBO YIN NI A RU

 OSORONGA NI A BO

 AJE NI NBA NI JÁ LAI FOWO KAN ENI

 EYIN NI NGBE ORITA JAGUN

 O GBE ORIGI KE AN-AN-AN

 BI IGUN JEBO

 A JE GBE

 BI AKALA JEBO

 A JE NI AJE NU

 OLOKIKI ORU

 EYIN NI ORILE ORI IGI

 OLUJUMORAN LORITA

 EYE AYE, IBA

 EYE ORUN, IBA

 NITORI BI A BA PE ORI AKONI, A FI IDA LALE GARAGAA

 MO JUBA YIN LONI

 KI IBA MI O SE

TRADUÇÃO

NOSSA MÃE!           NOSSA MÃE!           NOSSA MÃE!

OPIKI, A DONA DO PÉ DE OSUN

OLHANDO AQUI, VENDO LÁ

ESPALHADA PELO MUNDO INTEIRO

FIZEMOS A OFERENDA À VOCÊS

CUIDAREMOS DA OFERENDA DE VOCÊS

SÃO VOCÊS QUE BRIGAM COM ALGUÉM SEM PRECISAR POR A MÃO

SÃO VOCÊS QUE ESTÃO NAS ENCRUZILHADAS GUERREANDO

QUE CHORAM EM CIMA DAS ÁRVORES HEN-HEN-HEN

SE O URUBU COMER A OFERENDA

COME SEM LHE FAZER MAL ALGUM

SE O PÁSSARO AKALA COMER A OFERENDA

COME E DESAPARECE

AQUELAS QUE FAZER BARULHO PELA MADRUGADA

VOCÊS SÃO AS DONAS DAS CASAS EM CIMA DAS ÁRVORES

E FAZEM REUNIÃO NAS ENCRUZILHADAS

SAÚDO À VOCÊS, OS PÁSSAROS DAS MÃES FEITICEIRAS

SAÚDO À VOCÊS, OS PÁSSAROS DO CÉU

PORQUE SE FALAMOS DE ALGUÉM PODEROSO, PASSAMOS A ESPADA NO CHÃO

SAÚDO À VOCÊS HOJE

QUE A MINHA SAUDAÇÃO TENHA ASE

iami

IYA MI

O princípio ancestral feminino, energia genérica, tratado sempre de forma coletiva é conhecido por vários nomes, dentre eles, IYA MI OSORONGA.

Outras formas de tratamento encontradas, traduzindo sempre sua essência, são IYA MI (minhas mães), ELEYE (senhoras dos pássaros, ou aquelas que se transformam em pássaros), AJE (feiticeiras), APANI MA YODA (aquelas que matam sem espada, ou seja, sem arma), OLOKIKI ORU (aquelas que fazem barulho de madrugada, ou seja, que fazem reunião de madrugada), ONILE ORITA (aquelas que possuem a casa nas encruzilhadas), AJEFUN, JEDO (aquelas que se alimentam com fígado e intestinos), ASENI BANI DASO (falsas, aquelas que fazem e ainda fingem que não são elas).

As tradições transmitem uma duplicidade de imagem sobre IYA MI, num primeiro aspecto, menos conhecido, que é o da divindade que recebe de OLODUNMARE uma cabaça, representação do mundo, na qual está contido e representado o seu poder. Em outro, o de mulheres velhas, donas de uma cabaça contendo um pássaro, transformando-se elas próprias em pássaros e organizando, entre si, reuniões noturnas na floresta para se alimentarem do sangue de suas vítimas e se entregarem a trabalhos maléficos variados.

Tendo em vista sua natureza coletiva e genérica é comum tratar o princípio e aquelas que possuem seu conhecimento e poderes pelos mesmos nomes, mas em qualquer dos casos observa-se sempre sua atuação como agente moderador em relação aos excessos de poder e monopolização da riqueza.

Muitos Itan Odu tratam do mito, da vida e das ações das IYA MI. Um deles do Odu OSA MEJI, relatado a seguir, conta como elas receberam o poder de atuar sobre a vida dos homens.

Eye, pássaros como igun (urubus), adan (morcegos), e outros conhecidos e eniyan, seres humanos, quando vierem do orun (plano invisível) para o aiye (plano visível) fizeram um juramento na encruzilhada que une os dois mundos – ikorita meta.

Nele comprometeram-se frente a OLODUNMARE (DEUS) que nenhum deles iria trair ao outro no sentido de matarem-se entre si.

Porém chegou uma época em que não havia mais nada para os seres humanos comerem, eles começaram a passar fome e a morrer. Só os ELEYE davam um jeito de sobreviver.

Então um dia chegou um homem (ESU) e perguntou-lhes porque estavam morrendo de fome se havia tantos pássaros voando? Os seres humanos responderam que não poderiam matá-los, pois haviam prometido a OLODUNMARE que nenhum deles iria trair um ao outro, melhor dizendo, nenhum ser humano poderia matar os pássaros e nem os pássaros a eles.

Após a partida de ESU, que os havia incitado, os homens decidiram começar a matar os ELEYE e comê-los. Estes últimos então, muito irritados com a quebra do pacto, levaram o caso ao Ser Supremo.

Os seres humanos foram considerados culpados e OLODUNMARE deu aos ELEYE o poder de marcar os homens, de verem tudo o que se passava na terra e assim, envenenar a vida desses; podendo fazer deles o que bem entendessem. Isso se deu através de uma cabaça que se chamava IGBA AIYE (a cabaça do mundo).

Os pássaros perguntaram o que poderiam fazer com a cabaça, e OLODUNMARE falou que daquele dia em diante eles poderiam fazer tudo aquilo que quisessem com a ajuda dela, ou seja, esta representava um poder para eles. Qualquer coisa que quisesse saber a respeito dos seres humanos era só olhar para dentro dela e poderiam ver tudo, só falar dentro e qualquer coisa que quisessem se tornaria realidade.

As IYA MI podiam então ver e destruir a vida com o poder que possuíam através da cabaça. Foi assim que começaram a manipular os ENIYAN (seres humanos).

Outro Itan, do Odu OGBE OSA, relata a chegada de IYA MI à terra: “narra que elas vieram para a terra querendo ter uma residência, ou melhor, sete residências nos sete pilares da terra.

Estes pilares constituíam-se em sete árvores e quando as IYA MI foram questionadas sobre o que fariam, após “agarrarem-se às árvores”, elas responderam que, em três delas, fariam o mal, destruindo, matando, trazendo doença e infelicidade a alguém; em outras três, fariam o bem, permitindo felicidade, vida longa, saúde e alegria. Na última, sua principal casa e sede da essência de seu poder, fariam toda a coisa que quisessem fazer, trabalhando para a felicidade ou para a infelicidade conforme lhes agradasse”.

O primeiro Itan fala da cabaça, símbolo do poder genitor feminino, útero repositório do mundo e da sua força e conta que a traição feita pelos homens deixou-os entregues à própria terra.

Dessa forma quando pensamos que a matéria genérica de formação do homem está impregnada pela matriz ancestral feminina, temos que o desequilíbrio na relação provoca no homem disfunções intrínsecas.

No outro Itan destaca-se “ a questão do conjunto de residências das IYA MI. Um grupo voltado para a ação ligada ao “bem”, outro voltado para a ação ligada ao “mal”, representando um equilíbrio de dois potenciais opostos; e o terceiro, movimento pendular que define predominância ora de um, ora de outro, num processo que “parece” refletir reação aos comportamentos humanos, ajustados ou não aos sistemas por IYA MI regidos.

Sem dúvida, essa movimentação traduz-se em ruptura do equilíbrio existente entre os dois blocos e define, por consequência, uma dinâmica “ação-reação” nas  relações homem-terra. Assim mais uma vez, sempre que o homem age desequilibrando o sistema ou contrariando o programa da terra ele é afetado pela reação consequente, irrita e desencadeia a cólera de IYA MI”.

A interpretação destes dois Itan permite inferir que as reações violentas das IYA MI para com os homens estão sempre associadas a ações que desencadearam o desequilíbrio do sistema e visam, invariavelmente, a correção do rumo para o cumprimento efetivo dos programas.

Dizem muitas vezes que IYA MI por sua natureza e essência, inveja todas as pessoa que tem vida feliz e realização, sendo por isso necessárias oferendas que aplaquem permanentemente sua cólera. Na realidade, coloca-se uma questão: Será que as oferendas a IYA MI não se tornam necessárias no intuito de repor ao sistema os componentes energéticos consumidos na dinâmica das relações humanas?

A cólera de IYA MI seria portanto, uma explicação das doenças da sociedade e de seus remédios. Esta cólera constante seria também uma explicação da inquietude e da angústia metafísica, que não podem nos meios Yorubas tradicionais, ser racionalizados pela noção do “pecado original”.

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AS FEITICEIRAS OU DETENTORAS DOS PODERES DAS MÃES ANCESTRAIS

Basicamente as ELEYE ou IYA MI são as detentoras do poder feminino, as senhoras dos pássaros, poder das feiticeiras, que recebendo-os tornam-se AJE. São mulheres que possuem poderes que as outras não tem, pois utilizam-se da magia .

Diferentemente das feiticeiras na Europa medieval que eram consideradas a personificação do mal, as AJE para os Iorubá representam os poderes místicos da mulher em seu potencial mais perigoso e destrutivo.

Esse poder – ASE – de IYA MI não é em si mesmo bom ou mal, moral ou perverso, importando apenas a maneira como é empregado, sendo a feitiçaria o seu exercício ilegítimo ou mal dirigido.

Nos meios tradicionais os sentimentos são matizados em relação a ele. As AJE não são banidas da sociedade, evita-se porém maldizê-las abertamente, pois acredita-se que possuam uma força agressiva e perigosa. Uma atitude de prudente reserva face a um poder estabelecido, malévolo e ativo, é observada, acarretando discrição a seu respeito.

É dito existirem dois tipos de AJE: AJE FUNFUN ( as feiticeiras brancas), consideradas como aquelas que fazem o bem e as AJE PUPA (as feiticeiras vermelhas), aquelas que fazem o mal.

As AJE FUNFUN usam seus poderes para salvar, proteger e ajudar quem estiver precisando, existindo algumas mulheres que entram na sociedade das IYA MI somente para proteger aos seus filhos, o marido e as pessoas por quem elas se interessam.

Ao contrário, as AJE PUPA usam seus poderes para dificultar a vida dos homens, acabando com os negócios das pessoas, realizando separações, fazendo de tudo para tornar indivíduos normais em deficientes físicos, como ARO (aleijado), AFOJU (cego) ou ADITI (surdo). As IYA MI PUPA tem, também, poderes para matar.

As AJE possuem o poder de tornarem-se invisíveis, podendo ver e ouvir tudo que  a pessoa está fazendo, mesmo com as portas fechadas, ou ir a qualquer lugar que quiserem. É por isso que os Iorubá chamam as pessoas que tem este tipo de poder de OJUTOLE (quer dizer, ver tudo que estiver acontecendo dentro da casa) e de OJUTODE (ver tudo que estiver acontecendo fora de casa).

As IYA MI são associadas a animais de hábitos noturnos, demonstrando assim sua característica de movimentar-se e agir durante a noite, em um mundo em que predominam escuridão, silêncio, ausência de formas definidas e o anonimato dos agentes ativos do ambiente.

Elas podem se metamorfosear em várias coisas, tais como: pássaros (como o igun – urubu e o adan – morcego), animais (ologbo dudu – gato preto, malu – gado, ejo – cobra) ou qualquer espírito quando precisarem.

As mães feiticeiras compõem uma sociedade que se chama EGBE AJE (sociedade das mães feiticeiras). Elas saem para suas reuniões quando todo mundo está dormindo e acredita-se que, embora elas se tornem invisíveis quando querem ir a tais reuniões, seus corpos fiquem no lugar, quer dizer, apenas os espíritos se desloquem.

São, ao mesmo tempo, seus espíritos e os pássaros que fazem os trabalhos maléficos. Conforme mencionado anteriormente durante as expedições do pássaro, até o momento da sua volta, o corpo de uma feiticeira fica em casa, estendido e inerte em seu leito. Para combater a AJE, seria suficiente esfregar pimenta vermelha no seu corpo, pois quando o espírito voltasse não poderia mais ocupar o corpo lambuzado pela substância que lhe é proibida.

Elas se encontram em lugares especiais para fazerem suas reuniões, tais como: orita meta (encruzilhada), igi odan (árvores de seringueira fechada), iti ogede (árvore de bananeira).

È dito que as mães feiticeiras só se alimentam com EJE (sangue) na sociedade, quer dizer, cada vez que precisam se alimentar, uma delas pode oferecer qualquer pessoa, como alimento, consumindo o EJE, aos poucos até a vítima morrer.

Reproduzimos aqui um trecho de um ORIKI de louvação à IYA MI, referente a isso:

“IYA MI OSORONGA

ELEYE COM BOCA REDONDA

PÁSSARO ATIORO QUE DESCE DOCEMENTE

(ELES SE REUNEM PARA BEBER O SANGUE)

VOA SOBRE O TETO DA CASA (…)”

O poder das mães feiticeiras ainda se mantém, porque elas não escondem o interesse de passar tal poder a outra pessoa. Podem passá-lo para a filha ou qualquer outra mulher interessada que possa manter o segredo existente nessas sociedades.

EBO (oferenda)

As oferendas das mães feiticeiras podem ser realizadas de várias formas, dependendo do jogo, ou IKIN – IFA ou ERINDINLOGUN nos búzios.

As oferendas são realizadas ou deixadas num desses lugares: ikorita meta ( encruzilhada em y), abe igi odan (no pé da árvore da seringueira), abe igi ogede ( no pé da bananeira).

Os constituintes do Ebo, (oferenda) das IYA MI podem ser: akara (acarajé), epo (dendê), eje (sangue), elede (porca), obuko (cabrito), eleye (pombo), obi (fruto africano, apenas os com quatro gomos), orogbo (fruto africano), ape (alguidar), ekuru (feijão fradinho cozido com ou sem dendê) etc.

Algumas árvores (igi), estão ligadas às mães feiticeiras: igi iyeye (árvore de caja), igi iroko (tipo de uma árvore sagrada), igi odan (seringueira).

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cropped-cropped-oluwo.jpgSe você esta aqui é porque Ifá lhe encontrou, agora você deve encontrar Ifá! 

Oluwo Ifagboun Ajisafe

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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Respostas de 4

  1. Olá. Boa noite. Iboru. Amei saber um pouco mas sobre as iyas. Gostaria de ter mas esclarecimento sobre oferendas. Parabéns pelo texto. Obrigado pelo aprendizado.

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