COMO EJIOGBE SE TORNOU O REI DOS OLODUS

COMPARTILHE

contos-de-ifa

COMO EJIOGBE SE TORNOU O REI DOS OLODUS
Depois de todos os dezesseis Olodus terem vindo ao mundo, foi o momento para apontar a cabeça entre eles. Ejiogbe não foi o primeiro Olodu a vir para o mundo. Muitos outros tinham vindo antes dele. Antes deles, Oyeku-Meji que era o Rei da Noite tinha sido proclamado o mais velho. A maioria caiu em Oríşa N’lá (O filho de Deus, ou o representante de Deus na terra) para indicar o rei dos Olodu. Oríşa N’lá convocou todos e lhes deu um rato para repartir entre eles. Oyeku-Meji pegou uma perna, IwOrí-Meji pegou a segunda perna, Idi-Meji pegou uma mão e Obara-Meji pegou a mão restante. As outras partes foram repartidas em ordem convencional de idade.

Ejiogbe sendo muito novo foi dada à cabeça do rato. Na seqüência Oríşa N’lá lhes deu um peixe, uma galinha, um pombo, uma angola e finalmente um bode, os quais foram todos repartidos de acordo com a ordem estabelecida com o rato. Em cada caso a Ejiogbe foi dada à cabeça de cada um dos animais sacrificados. Finalmente Deus (Oríşa N’lá) convocou-os para vir a ele para uma decisão depois de três dias. Chegando em casa Ejiogbe fez uma consulta oracular e lhe foi dita para dar um bode a Èşu. Depois de comido seu bode, Èşu lhe disse no dia indicado, que ele deveria assar uma raiz de inhame e guardá-lo em sua sacola junto com uma vasilha de água. Èşu também o avisou para ir depois para o encontro dos Olodus ao palácio de Deus.
No dia recomendado, os Olodus foram convocá-lo para a conferência. Após o deixarem, ele tirou inhame, descascou e o colocou dentro de sua bolsa com uma cabaça de água. No caminho para a conferência ele encontrou uma velha mulher, justo como Èşu previu e de acordo com o aviso dado ele aliviou a velha do peso da madeira para o fogo que ela estava carregando, porque ela já estava tão cansada que mal podia andar. Após aceitar de maneira agradável a ajuda, ela se queixou que estava com uma fome terrível. Instantaneamente Ejiogbe retirou o inhame assado de dentro de sua bolsa e o deu para ela comer. Depois de comer, ela pediu por água e ele lhe deu a cabaça d’água de dentro de sua bolsa. Com a refeição terminada ele carregou a lenha enquanto a velha senhora caminhou ao seu lado.
Ele não percebeu que a mulher era a Mãe do Deus Filho. (Oríşa N’lá). Entretanto como ele deu a impressão de estar com pressa, a velha perguntou-lhe onde ele estava indo com tanta pressa.

Ele respondeu que ele já estava atrasado para uma conferência na qual Oríşa N’lá iria apontar o rei entre os Olodus. Ele disse que ela não estava tomando seu tempo, de qualquer maneira, já que ele era muito novo para aspirar à coroa dos dezesseis apóstolos de Ọrúnmìlá. Na sua resposta a velha assegurou-lhe que ele estava indo para ser feito o rei dos apóstolos. Quando eles chegaram à casa da mulher, ela lhe disse para depositar a lenha atrás da casa. Ejiogbe já estava identificando a casa como a de Oríşa N’lá, quando ele compreendeu que a mulher que ele tinha auxiliado era ninguém mais que a mãe dele. Ele então se curvou em sinal de respeito. A mulher lhe disse para seguí-la até o interior da casa. Chegando lá ela trouxe duas peças de roupa branca, uma em seu ombro direito e outra em seu ombro esquerdo. Ela então inseriu uma pena vermelha de papagaio na cabeça de Ejiogbe e uma marcação (giz branco) em sua palma direita, depois ela lhe mostrou as 146 (Ota legbeje) pedras em frente e fora da casa de Oríşa N’lá e direcionou-o a ir e sentar no topo de uma pedra branca no meio. Em seu novo enxoval, ele foi se sentar lá, enquanto os
outros esperavam em uma câmara de Deus.
Depois Oríşa N’lá perguntou aos outros por quem eles ainda estavam esperando e todos eles responderam que eles estavam esperando por Ejiogbe. Oríşa N’lá então perguntou-lhes pelo nome do homem que estava sentado lá fora. Nem mesmo eles puderam reconhecê-lo como Ejiogbe. Oríşa N’lá orientou-os a ir e prestar respeitos ao homem. Um após o outro eles foram se prostrar e tocar o chão com suas cabeças nos pés da onde Ejiogbe estava sentado. Em seguida Oríşa N’lá formalmente proclamou Ejiogbe como o rei dos Olodus da família de Ọrúnmìlá. Quase que unanimemente, todos os outros Olodus se queixaram aborrecidos demonstrando sua desaprovação pela nomeação do mais novo Olodu para chefiar entre todos eles. Neste ponto Deus lhes perguntou como eles repartiram os animais que ele tinha dado a eles durante os sete dias no período de
avaliação. Eles explicaram como eles os dividiram. Ele lhes perguntou a quem foi dada a cabeça de cada um desses animais e eles confirmaram que tinham dado para Ejiogbe. Oríşa N’lá então exclamou que foram eles que voluntariamente apontaram Ejiogbe para ser o seu Rei, porque quando a cabeça está fora do corpo, o resto não tem vida. Com aquela observação eles todos se dispersaram.
Quando eles deixaram o palácio de Orişa N’lá, todos eles decidiram prender Ejiogbe em seus fortes braços. Não apenas resolveram não se reconciliar com ele como também decidiram nem servi-lo nem visitá-lo. Antes da dispersão Ejiogbe compôs um poema o qual ele usou como um encantamento:
Oja nii ki owo jaa,
Owuwu oni koo wo won wuu
Ikpe Akiko kiiga akika deenu,
Ikpe Oríre kii gun Oríre deenu,
Etuu kii olo tu won nimo,
Inu lo otin ire efo ebire wa.
Com aquele encantamento especial, esperava neutralizar todas as maquinações maléficas contra ele.
Ele usou algumas espécies de folhas para este propósito. Após aquele incidente, eles lhe disseram que antes não podiam aceitá-lo como rei, ele teria de banqueteá-los com:
200 cabaças de inhame assado.
200 potes de sopa preparada com diferentes tipos de carnes
200 cuias de vinho.
200 cestas de obi, etc, dando lhe sete dias para organizar o banquete.
É desnecessário dizer que parecia uma tarefa impossível porque eles sabiam que Ejiogbe não poderia bancar financeiramente um banquete daquele tamanho. Ejiogbe sentou-se lamentando de sua pobreza, e a perspectiva de se tornar um pastor sem rebanho. Entrementes, Èşu veio a eles para descobrir a causa de sua melancolia e ele explicou que não tinha dinheiro disponível para financiar esmeradamente o banquete solicitado pelos Olodus, antes de eles poderem aceitar se submeter a ele.
Èşu replicou que o problema seria resolvido se Ejiogbe lhe desse mais outro bode. Ejiogbe não perdeu tempo em dar o outro bode para Èşu. Após comer o bode, Èşu avisou-o a preparar apenas uma de cada de todas as coisas necessárias para o banquete e para fazer cento e noventa e nove recipientes adicionais cheios de cada item e enfileirá-los fora do salão do banquete no dia indicado.
Ejiogbe seguiu a recomendação de Èşu adequadamente, neste meio tempo, cada um dos Olodu tinha estado fazendo pilhérias dele, já que eles sabiam que não havia jeito para Ejiogbe poder providenciar o banquete.

No sétimo dia, eles começaram a visitá-lo um a um para confirmar se ele estava certo com o banquete, já que eles não ouviram o som do socar do pilão vindo da sua cozinha, acreditaram que não iria haver banquete mais tarde. Entretanto, tendo ainda fora os potes cheios, Èşu foi para o salão e ordenou uma preparação só para multiplicar em potes cheios. Instantaneamente, todas as cabaças, potes de sopa, cuias, cestas, etc, estavam cheias com preparados frescos e o banquete estava pronto.
Assim que Oyeku-Meji chegou ao banquete descobriu o que estava acontecendo, ele ficou atônito em ver que o banquete estava pronto depois de tudo. Sem esperar por um convite formal, sentou-se para servir a si mesmo a comida.
Ele foi seguido adequadamente por IwOrí-Meji, Idi-Meji, Obara-meji, Okonron-Meji, Irosun-Meji, Owanrin-Meji, Ògúnda-Meji, Osa-Meji, Otura-Meji, Irete-Meji, Eka-Meji, Eturukpon-Meji, Ose-Meji e Ofun-Meji. Antes de perceberem o que estava acontecendo, eles tinham jantado tudo e bebido para a alegria de seus corações.
Após o banquete, todos eles carregaram Ejiogbe acima de suas cabeças e começaram a dançar em procissão cantando:
“Agbee geege, Agbee Babaa, Agbee geege, Agbee Babaa.”
Eles dançaram em procissão através da cidade. Quando chegaram à margem do oceano, Ejiogbe lhes disse para colocá-lo no chão e ele cantou em louvor dos Awo que fizeram a divinação para ele e do sacrifício que ele fez. Com o que ele foi coroado formalmente o rei dos apóstolos de Ọrúnmìlá, com o título de Akoko-Olokún.
Neste momento, ele sacrificou caracóis na margem do oceano e foi o último sacrifício que ele fez antes de se tornar próspero e o trono começou a florescer e vicejar.

Não perca! Ouça, comente, compartilhe…

cropped-cropped-oluwo.jpgSe você esta aqui é porque Ifá lhe encontrou, agora você deve encontrar Ifá! 

Oluwo Ifagboun Ajisafe

ESTA PALAVRA NÃO É SÓ SUA

Alguém que você ama pode estar precisando ler isto hoje.

Ifá ensina que o conhecimento cresce quando é partilhado. Envie esta mensagem para quem precisa de luz no caminho.

Enviar pelo WhatsApp
Facebook
Telegram
Ficou alguma dúvida?

Sugira o próximo assunto que você gostaria de ler aqui.

ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

SUA PALAVRA IMPORTA

O que você achou desta mensagem?

Conte o que sentiu ao ler ou deixe sua pergunta. Os comentários são lidos com carinho e aparecem aqui depois de aprovados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também

O SEGREDO VALE SABER

Como seres humanos, somos um. Podemos nos chamar seguidores de Isese, Ifa, Orisa, Ogboni, Egungun, Budismo, Hinduísmo, Cristianismo, Islã, Candomblé, Umbanda, Vodun,

Ler artigo ›