Alagbède – os ferreiros.

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Alagbède  os ferreiros.
Fundição de ferro e a tecnologia de forjar,  pode ter existido na África ocidental entre os Nok na cultura da Nigéria já no início do século VI A.C. no período de 1400 a 1600, a tecnologia do ferro parece ter sido um de uma série de bens sociais fundamentais que facilitaram o crescimento significativo de reinos centralizados no Sudão Ocidental e ao longo da Costa da Guiné da África ocidental. A fabricação de ferramentas de ferro e armas permitidos para o tipo de agricultura extensiva sistematizadas, eficiente, caça e guerra de sucesso para manter a grandes centros urbanos.
A fabricação de ferramentas de ferro e armas permitidos para o tipo de agricultura extensiva sistematizadas, eficiente, caça e guerra de sucesso para manter a grandes centros urbanos.
Na Nigéria, o ferro era fundamental para a ascensão de vários reinos importante-Daomé, Benin, e os reinos Yorùbá, incluindo principalmente Ifè e oyo. Todos estes reinos da Nigéria teve uma grande quantidade de contato um com o outro e, portanto, compartilhar semelhantes crenças espirituais sobre os atributos de ferro e métodos de fundição.

Ògún, o Deus do ferro, é uma importante divindade reconhecida por todos eles. Ògún é creditado com a introdução de ferro, bem como sendo o primeiro caçador e guerreiro, o abridor de estradas, de campos, e fundador de dinastias. A espada de ferro de Ògún, um tema central simbólico, está associada a ambos civilizatório e ações agressivas.
O ferro tem significativos status rituais em todos estes estados da Nigéria, na qual o forje funcionavam como um ritual santuário. A bigorna foi muitas vezes utilizada para a tomada de um juramento ou como um altar de sacrifício.

Os ferreiros exigiu grande proximidade com poderes sobrenaturais, assim os ferreiros eram admirados e temidos. Altamente especializada as habilidades de ferreiros foram tão valiosos, que tais artesãos eram muitas vezes itinerantes e mudava-se para onde eles necessários, ou mesmo viajavam com exércitos para a batalha. Este movimento expandiu o contato social que ocorreu entre a Nigéria e grandes reinos e, portanto, promoveu o rápido intercâmbio de conhecimentos e crenças espirituais.

Um dos Orikì em alusão a importância dos ferreiros e sua ligação com Ògún:

Ògún niyi lowo alagbède

Abe ma niyi lowo oníkolà

Ire mi bem l’ekulé mi.

Ògún é útil para os ferreiros

Lamina esta aqui para fazer sua marca

Minha sorte aqui está aqui na minha casa  (meu santuário de Ògún).

Ògún na África

Ogum, como personagem histórico, teria sido o filho mais velho de Odùduà, o fundador do Ifè. Era um temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Dessas expedições, ele trazia sempre um rico espólio e numerosos escravos. Guerreou contra a cidade de Ará e a destruiu. Saqueou e devastou muitos outros Estados e apossou-se da cidade de Ire, matou o rei, aí instalou seu próprio filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oníìré, “Rei de Ire”. Por razões que ignoramos, Ògún nunca teve direito de usar uma coroa (adé), feita com pequenas contas de vidro e ornada por franjas de miçangas, dissimulando o rosto, emblema da realeza para os iorubas. Foi autorizado a usar um simples diadema, chamado àkòró, e isso lhe valeu ser saudado, até hoje sob os nomes de Ògún Oníìré e Ògún Aláàkòró inclusive no Novo Mundo, tanto no Brasil como em Cuba, pelos descendentes dos iorubas trazidos para esses lugares.

Ògún teria sido o mais enérgico dos filhos de Odùduà e foi ele que se tornou regente do reino de Ifè quando Odùduà ficou temporariamente cego.

Ògún decidiu, depois de numerosos anos ausente de Ire, voltar para visitar seu filho. Infelizmente, as pessoas celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ògún tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mais ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente por muito tempo. Ògún, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava sua fome e sua sede, os habitantes de Ire cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase Ògún je aja (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de Ògúnjá.

Satisfeito e acalmado Ògún lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ògún aparece imediatamente em socorro daquele que o invocou. Porém elas não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, se não encontra inimigos diante de si, é sobre o imprudente que Ògún se lançará.

Como Òrìsà, Ògún é o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam esse material: agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros, escultores. Desde o início do século, os mecânicos, os condutores de automóveis ou de trens, os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura vieram juntar-se ao grupo de seus fiéis.

Ògún é único, mas, em Ire, diz-se que ele é composto de sete partes. Ògún méjeje lóòde Ire, frase que faz alusão às sete aldeias, hoje desaparecidas, que existiam em volta de Ire. O número sete é, pois, associado à Ògún e ele é representado, nos lugares que lhe são consagrados, por instrumentos de ferro, em número de sete, catorze ou vinte e um, pendurados numa haste horizontal, também de ferro: lança, espada, enxada, torquês, facão, ponta de flecha e enxó, símbolos de suas atividades.

Uma história de Ifá, explica como o número sete foi relacionado a Ògún e o número nove a Oyá.

Conta a lenda:

“Oyá era companheira de Ògún antes de se tornar a mulher de Sángò. Ela ajudava o deus dos ferreiros nos seus trabalhos; carregava docilmente seus instrumentos, da casa à oficina, e aí ele manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia, Ògún ofereceu a Oyá uma vara de ferro, semelhante a uma de sua propriedade, e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres que por ela fossem tocados no decorrer de uma briga.

Sángò gostava de vir sentar-se à forja a fim de apreciar Ògún bater o ferro e, frequentemente, lançava olhares Oyá; esta, por seu lado, também o olhava furtivamente. Sángò era muito elegante, muito elegante mesmo, afirmava o contador da história. Seus cabelos eram trançados como os de uma mulher e usava brincos, colares e pulseiras. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. Aconteceu, então, o que era de se esperar: um belo dia ela fugiu com ele. Ògún lançou-se a sua perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim Ògún foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebendo ele o nome de  Ògún Mejé e ela o de Iansa, cuja origem vem de Iyámésàn a mãe (transformada em) nove.

Ògún é também representado por franjas de folhas de dendezeiros devidamente desfiadas, chamadas màrìwò. Elas serviam de vestimenta aos Igbá Imolè, os duzentos deuses da direita, dos quais fala

Aqueles que, tendo se conduzido mal, foram destruídos por Olodumaré, com exceção de Ògún, que se tornou assim o guia, o condutor dos Irun Imolè, os quatrocentos deuses da esquerda, os únicos, de que se pode falar sem perigo.

Esses màrìwò, pendurados acima das portas e janelas de uma casa ou à entrada dos caminhos, representam proteção, barreiras contra as más influências.

Os lugares consagrados a Ògún ficam ao ar livre, na entrada dos palácio dos reis e nos mercados. Estão presentes também na entrada nos templos de outros Òrìsà. São geralmente pedras em forma de bigorna colocadas perto de uma grande árvore,àr àbà (Ceiba pentandra), ou protegidas por uma cerca de plantas nativas chamadaspèr ègùn (Dracaena fragrans) ou dea kòro (Newbouldia laevis). Nesses locais, periodicamente, realizam-se sacrifícios de cachorros e galos, acompanhados de oferendas de vinho de palma e pratos de feijão e inhame cozidos e regados com azeite-de-dendê.

O culto de Ògún é bastante difundido no conjunto dos territórios de língua ioruba e em certos países vizinhos, – como o ex-Daomé e o Togo, onde é chamado de Gun. Ògún é, provavelmente, o deus iorubá mais respeitado e temido. Tomá-lo como testemunha no decorrer de uma discussão, tocando com ponta da língua a lâmina de uma faca, ou um objeto de ferro, é sinal de sinceridade absoluta. Um juramento feito invocando-se o nome de Ògún é o mais solene e digno de fé que se possa imaginar, comparável àquele que faria um cristão sobre a Bíblia ou um mulçumano sobre o Corão.

A vida amorosa de Ògún foi muito agitada. Ele foi o primeiro marido de Oyá aquela que se tornaria mais tarde mulher de Sángò. Teve também relações com Òsun antes que ela fosse viver com Òsóòsì e com Sángò. E também com Obà, a terceira mulher de Sángò, e Eléfunlósunlórí, Aquela-que-pinta- sua-cabeça-com-pós-branco-e-vermelho, a mulher de Òrìsà Oko. Teve numerosas aventuras galantes durante suas guerras, tornando-se, assim, pai de diversos orixás, como Òsóòsì e Oranian.

A importância de Ògún vem do fato de ser ele um dos mais antigos dos deuses iorubas e, também, em virtude da sua ligação com os metais e aqueles que os utilizam. Sem sua permissão e sua proteção, nenhum dos trabalhos e atividades úteis e proveitosas seria possível. Ele é, então e sempre, o primeiro e abre o caminho para os outros Òrìsà.

Entretanto, certos deuses mais antigos que Ògún, ou originários de países vizinhos aos iorubas, não aceitam de bom grado essa primazia assumida por Ògún.

Cerimônias para Ogum

Cerimônias dignas de serem mencionadas celebravam-se com regularidade na região de Ahori (no lado nigeriano) ou Holi (no lado daomeano), realizavam-se todas no dia da semana ioruba dedicado a Ògún, ou seja, de quatro em quatro dias. Os ose nla (grandes domingos) alternavam se com os ose kékeré (pequenos domingos); os primeiros tinham mais esplendor que os outros. Esta região Ahori-Holi ficava relativamente preservada da ação civilizadora das administrações coloniais e daquelas que as sucederam. A estrada que atravessa Holi, ligando Ketu ao sul de ex-Daomé, só foi aberta em 1953, em virtude da natureza pantanosa de algumas partes dessa região, ou seja, apenas sete anos antes da independência desses países.

Citamos, a seguir, alguns dos numerosos templos de Ògún nessas paragens:

Ogún Igiri em Adja Were,

Ogún Edeyi em Ilodo,

Ogún Ondó em Pobê, em Igbó-Isso e em Irokonyi,

Ogún Igboigbo em Ixedé,

Ogún Elénjo em Ibanion e em Modogan,

Ogún Agbo em Ixapo,

Ogún Olópe em Ixedé Ije,

Ogún Absan em Ibanigbe Fuditi.

Trata-se de um só e único Ògún, cujo segundo nome designa ou o lugar de origem, como Ondô, ou o nome do fundador, ou, ainda, o nome de uma divindade como no último da relação, para qual ele serve de guardião.

O aspecto desses templos era notável. Situados, geralmente, em lugares calmos e isolados, no meio de uma clareira cercada de arvores frondosa. Apresentavam a forma semelhante a de uma cabana redonda, com telhado cônico e pontiagudo, precedidos por uma galeria ornada com pilastras esculpidas. Construídos com materiais locais: engradamento de madeira, telhado de palha ou de folhas de palmeira trançadas, paredes feitas de bambu.

Os templos dedicados a Ògún Ondó eram de estilo diferente. Todos eles tinham em comum o telhado de cumeeira alta, com duas águas descendo quase até o chão. Vistos de frente, pareciam uma muralha elevada, tendo, ao nível do solo, uma entrada cuja verga era tão baixa que só se podia penetrar no interior do templo curvando-se muito, de maneira respeitosa, ou então se rastejando com apoio dos cotovelos e joelhos.

O templo de Igbo-Isso, apresentado neste trabalho, perto de Aba, conservou essas características. O de Podê, que conhecemos em 1936, era um edifício majestoso com telhados de palha, alto e pontudo, mas, infelizmente, católicos zelosos, estimulados pelos sermões “incendiários” de um reverendo missionário que, do púlpito, esbravejava sempre contra as religiões pagãs, julgaram por bem “ajudar a Providência” ateando fogo ao templo de Ondó numa noite de verão. Foi uma bela fogueira cuja conseqüência foi a reconstrução do templo, com material à prova de fogo, coberto por um telhado de zinco ondulado, semelhante a um galpão ou um galinheiro. Para dar graça ao conjunto e, ao mesmo tempo, amedrontar os incendiários, desenharam, acima da porta, dois leopardos mostrando todas as suas garras.

As cerimônias Ose nlà, em Ògún Ondó, realiza-se numa grande praça, de cerca de cem metros de comprimento por trinta de largura, que era antigamente, uma clareira no meio de uma floresta. Com o tempo essa floresta ficou reduzida a uma estreita faixa de árvores, formando uma cortina medíocre entre o recinto sagrado e a cidade. O templo de Ondó esta situado em um dos lados maiores do retângulo. Defronte, encontra-se outro templo menor e circular, dedicado a Arè, e no fundo, onde devia ser antigamente a entrada da clareira, um templo igualmente circular, de Èsù Elegbára. Este conjunto se completa por dois pequenos cercados quadrados, de cinquenta centímetros de lado, chamados idomosun. Num deles, no começo da cerimônia, colocam-se oosun de cada um dos principais dignitários; o outro é reservado aoosun de Olúponahá ainda, em diversos locais, troncos de árvores deitados no chão, servindo de assento aos diversos participantes da cerimônia.

Os principais oficiantes do culto de Ògún Ondó são:

Aláàse, responsável pelo àse do orixá. Ele não entra em transe e seu papel é semelhante ao dos Mogbà Sangó, do qual trataremos mais adiante. Aláàse era antigamente o chefe religioso mais importante da comunidade e é, ainda, saudado com um título de Kábiyèsí, reservado aos reis. Ele senta-se durante a cerimônia ao lado do templo de Ògún Ondó.

Saba que é assistente de Aláàse, entra em transe de possessão por Ògún Ondó durante o ose;

Okere, assistente de Saba; são dois em geral, e ambos são possuídos (montados porgùn) por Ògún Ondó. Se sentam lado a lado, perto do idomosum.

Isa, que cuida de Arè e toma lugar perto do seu templo, é durante a cerimônia possuída por esta divindade.

Olápòna, que se ocupa de Exu e senta-se perto do seu templo, é por ele possuído por ele muitas vezes, é acompanhado por um Olápòna de um outro templo de Ògún, vindo de alguma cidade vizinha.

Há ainda cerca de outros vinte olóyè, portadores de títulos, que não entram em transe e têm cada um deles, seu lugar reservado, de onde assistem a cerimônia e dela participam. Entre eles há os egbenlá, os soldados de Ògún, armados com grandes facões e longos bastões.

Duas mulheres consagradas a Dúdúa, nome dado na região a Òrìsàálá, sentam-se perto dos Oker e, mas permanecem como meras espectadoras e contentam-se em bater em instrumentos de ferro, em sinal de respeitosa atenção, nos momentos mais solenes. Há ainda asì yàwó (iaôs) de Ondó, que cantam em seu louvor.

Ao lado do templo de Are instala-se o conjunto, composto de três atabaques e um agogô. Os atabaques são: uma aposi, pequeno tambor em terracota; um ogidan, tambor alongado colocado rente ao chão; e o kele, pequeno tambor com pés.

Os participantes do ose de Ògún Ondó chegam de manha cedinho.

Aláàse, Saba, os Okere ,Isa ou os Olúpona vestem-se com um pano colorido, amarrado no ombro direito. Tem na cabeça um gorro de palha pontudo, enfeitado com grandes penas de galo e penas vermelhas da cauda de papagaios. Os pulsos são ornados com numerosas pulseiras de contas de vidro de diversas cores. Eles trazem numa das mãos seusosun de ferro que vão colocar noidomosun. Na outra mão, tem um facão e dois grandes chocalhos (ààjà), que são batidos um no outro enquanto caminham. Olúpona traz ainda um ogo, bastão esculpido de forma fálica.

Todos vão se sentar em seus respectivos lugares, com ar severo e recolhido. As ìyàwó de Ògún Ondó em seguida trazendo oferendas de alimentos para as divindades: Ògún Ondó, Are e Èsù. As grandes gamelas são colocadas nas portas dos três templos. Saba, ajudado pelos Okere, Isa e os Olúpona levantam-se com a cabeça descoberta, deixando seus gorros, ààjà e facões em seus respectivos lugares e entram em atividade, nos seus templos respectivos, colocados ali uma parte das oferendas preparadas com inhame e feijão, regadas com azeite-de-dendê. Põem uma porção desses alimentos em seus osun para que os antigos titulares do posto, atualmente ocupados por eles, participem também da festa.

Em seguida, fazem oferendas de divindade para divindade e para os diversos olóyè. Isso provoca uma série de idas e vindas em que cada divindade recebe, em troca de seus donativos, um contra donativo dos dois outros. Resulta desses intercâmbios uma refeição comunitária em que participam todos os espectadores do ose.

Os oficiantes do culto consultam as divindades utilizando nozes de cola para verificarem se os deuses estão satisfeitos, em seguida alguns dos dignitários vão se reunir em um local que era outrora uma clareira adjacente, para deliberarem e comentarem o resultado das consultas. Ao cabo de certo tempo, voltam e sentam-se nos lugares que lhe são reservados.

Um período de calma sucede a toda essa agitação, após o que, os músicos entram em ação. Executam uma série de invocações.Aláposi bate alguns compassos em seu tamboraposi, que esta preso entre seus joelhos; Ológidan, cavalgando seu instrumento ogidan colocado no chão, o acompanha. Esses dois tambores formam um conjunto falante, emitem sons ondulados, de acordo com a pressão mais ou menos intensa de uma das mãos do executante sobre os couros dos tambores, invocando os deuses. O terceiro tambor, kele, está no chão, diante de Oníkele, que nele bate com duas varetas numa cadência extremamente rápida. Vez por outra ele é substituído por um dos seus assistentes, que mantém o ritmo, com a mesma cadência acelerada, criando com seu tom agudo uma atmosfera de tensão nervosa que, em certos momentos, torna-se quase insuportável.

O conjunto toca assim, por períodos interrompidos por curtos e repentinos momentos de silêncio. Essas interrupções contribuem para criar uma sensação de anciosa expectativa. Na sétima vez, os Olúpona dão um grito estridente. A expressão de seus rostos transforma-se. Põem gorro pontudo, pegam seus ààjà e seus ogo, com eles tocam três vezes o chão e levantam-se de um salto. Seus gritos são retomados por Saba, pelos dois Okere, sentados lado a lado, e por I sa. Enquanto os atabaques fazem suas chamadas, todos passam pelas mesmas fases de tensão e de concentração progressivas. Apertam nervosamente suas mãos, com os dedos entrelaçados, seus músculos se contraem, baixam a cabeça, fazem a testa e cerram os dentes. São, então, possuídos respectivamente por Èsù, Ògún Ondó e Are. Cada um deles dá um grito estridente e levanta-se de um só impulso, saltando muito alto, e vão, apressadamente, reunir-se diante do templo de Ògún Ondó.

A expressão dos rostos mudou de novo. Agora estão com um ar descontraído  e vagamente alegre, balançando a cabeça e resmungando frases inacabadas. Caminham com passos irregulares, desajeitadamente, levantando muito os pés. Quando param, eles se estremecem e oscilam para frente para trás, bem devagar.

O conjunto toca sem parar mas em surdina. Oselégùn, possuídos pelos deuses, com Olúpona à frente, partem em fila e correm ofegantes, com o corpo inclinado para frente e arrastando os pés. Vão em direção à entrada da clareira e a outros lugares, parando um momento agitado seus ààjà, saúdam os quatro cantos do mundo. Em seguida, vão cumprimentar Aláàse, que esta sentado perto do templo de Ògún Ondó.

Aproximam-se um a um, passam cuidadosamente seus ààjà e seu facão para a mão direita e com a esquerda apertam a deAláàse, sacudindo-a com força. Tocam três vezes o chão com seus ààjà, entrechocam-nos com força e regularidade e executam assim uma verdadeira música de ferreiros que lembra o som do martelo batendo sobre uma bigorna. Formulam, com voz de falsete votos de prosperidade e de felicidade. Vão em seguida saudar da mesma forma todos os dignitários, os tocadores de atabaques, os egbenlá e osìyàw ó de Ògún Ondó. O ritmo da música transforma-se e torna-se cada vez mais rápido. Os elégùn começam então a dançar, lado a lado, como numa quadrilha e seguindo, cuidadosamente o compasso marcado pela música, indo do templo de Ondó ao de Are. Recuando, voltam ao ponto de partida e continuam dançando durante um bom tempo, um pouco pesadamente e em diversas direções, marcando seus movimentos com o som de sinos entrechocados. A música pára e oselégùn também. Passam a caminhar de um lado para o outro, com passos ora apressados, ora indolentes, mas sempre desajeitados e hesitantes. Eles profetizam, cantarolam e alternadamente sorriem ou ficam carrancudos; levantam as sobrancelhas, arregalam os olhos ou, com ar beato, exprimem votos aos presentes. Por fim, vão se sentar em seu lugar habitual, resignadamente, com a cabeça baixa e o queixo encostado no peito. Por instantes são agitados por tremores, mas pouco a pouco, voltam a si e retomam sua expressão e comportamentos habituais.

Para os fon do Daomé,Gun desempenha o mesmo papel que Ogun dos iorubas, mas comoOdùdùa, é desconhecido em Abomey. Gun, aí, é considerado o filho de Lisa e Mawu, versão fon de Orìsàálá e Yemowo. Maximilien Quénum o compara a Legba e assinala sua presença diante das forjas. Christian Merlo indica que todos os templos têm seu Gun, cuja virtude é fortificar o vodun.

Ogum no Novo Mundo

Ogum no Brasil é conhecido, sobretudo como deus dos guerreiros. Perdeu sua posição de protetor dos agricultores, pois os escravos, nos séculos anteriores, não possuíam interesse pessoal na abundância e na qualidade das colheitas e, sendo assim, não procuravam sua proteção neste domínio. Isso explica, igualmente, pouco a pouco que os iorubas, escravos no Brasil, deram ao Òrisà Oko, cujo culto continuou popular na África. Como deus dos caçadores, Ogum foi substituído por Oxossi, trazido à Bahia pólos africanos de Kêto, fundadores dos primeiros candomblés desta cidade.

Ogum recebe na Bahia sete nomes próximos daqueles com os quais ele é designado na África. Existem algumas variações nas listas dadas pelas pessoas interrogadas, mas os nomes mais frequentemente mencionados parecem ser: Ògún Onirê, Ògún Akorô, Ògún Alagbedê, Ògúnjá, Ògún Mejê, Ògún Omini, Ògún Warí.

As pessoas consagradas a Ògún um usam colares de contas de vidro azul-escuro e, algumas vezes, verde. Terça feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Como na África ele é representado por sete instrumentos de ferro, pendurados em uma haste do mesmo metal, e por franjas de folhas de dendezeiro desfiadas, chamadas màrìwò.

Seu nome é sempre mencionado por ocasião de sacrifícios dedicados aos diversos orixás no momento em que a cabeça do animal é decepada com uma faca – da qual ele é o senhor.

nok

A cultura Nok apareceu no Norte da Nigéria volta de 1000 aC e desapareceu sob circunstâncias desconhecidas em torno de 300 dC na região da África Ocidental. Pensa-se para ter sido o produto de uma nação ancestral que se ramificou para criar os Hausa , Gwari, Birom , Kanuri , Nupe e Jukun povos. A Cultura Kwatarkwashi ou Cultura Sokoto localizada ao noroeste da Nok é pensado para ser o mesmo ou um antepassado anterior do Nok.

O sistema social Nok é pensado para ter sido muito avançado. A cultura Nok foi considerada um dos primeiros produtores africanos de vida de tamanho Terracotta.

O refinamento dessa cultura é atestada pela imagem de um dignitário Nok no Instituto de Artes de Minneapolis. O dignitário é retratado vestindo um “bastão torto”. O dignitário também é retratado sentado com narinas e uma boca aberta sugerindo desempenho. Outras imagens mostram figuras a cavalo, indicando que a cultura NOK possuía o cavalo.

Uso de ferro, na fundição e forja para ferramentas, aparece na cultura Nok na África, pelo menos em 550 aC, e possivelmente mais cedo A cultura Nok apareceu no Norte da Nigéria volta de 1000 aC e desapareceu sob circunstâncias desconhecidas em torno de 300 dC na região da África Ocidental. Pensa-se para ter sido o produto de uma nação ancestral que se ramificou para criar os Hausa , Gwari , Birom , Kanuri , Nupe e Jukun povos. A Cultura Kwatarkwashi ou Cultura Sokoto localizada ao noroeste da Nok é pensado para ser o mesmo ou um antepassado anterior do Nok.

Da Nok sistema social é pensado para ter sido muito avançado. A cultura Nok foi considerado um dos primeiros produtores africanos de vida de tamanho Terracotta .

O refinamento dessa cultura é atestada pela imagem de um dignitário Nok no Instituto de Artes de Minneapolis . O dignitário é retratado vestindo um “bastão torto”. O dignitário também é retratado sentado com narinas e uma boca aberta sugerindo desempenho. Outras imagens mostram figuras a cavalo, indicando que a cultura NOK possuía o cavalo.

Uso de ferro, na fundição e forja para ferramentas, aparece na cultura Nok na África, pelo menos em 550 aC, e possivelmente mais cedo. Christopher Ehret sugeriu que a fundição do ferro foi descoberta independentemente na região anterior a 1000 aC.

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Oluwo Ifagboun Ajisafe

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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