A função da palavra e a importância do compromisso de se cumprir aquilo que se fala.
Quando os Imolé levaram as substâncias para dar forma ao planeta, se tornam Igbamolé, forças invisíveis das coisas naturais que propiciaram a evolução, que em custo da evolução das espécies passaram a ser chamados de Irúnmole. Este é o processo Ifá que modifica a descida de um Ikole Òrun para Ikole Àiyé, ou seja, o mito da descida do corpo celeste para a criação da pessoa no mundo físico. Isto representa na cadeia da criação dos seres uma forma relativa e prática de organizar o número de seres e sua distribuição e evolução nos Mésón Òrun ordenada por Olódùmaré, rendendo para Òbátalá o equivalente para a ciência, a informação genética de todas as espécies.
Ifá conta que a criação aconteceu através do testamento expressado pela vontade de Olódùmaré, onde os Bàbálawos ensinam que a palavra tem que ser capaz de interagir entre as fontes de comunicação e fontes naturais, que por sua vez são controladas pelos deuses primordiais criados por Olódùmaré chamados Òrìsà ou Ebora. Basicamente, existe um complexo ritual e administrativo que envolve estas divindades com o principio da criação e formação de todas as coisas contidas no mundo dos vivos denominado Àiyé, mais a complexidade deste hemisfério organizado não esta somente centralizada nas formas que a natureza toma, mas sim na relação entre seres vivos, ancestrais, deuses primordiais e o Criador.
Quando nós recorrermos ao poder da palavra, queremos realçar o seguinte; Olódùmaré, transformou a evolução do universo a partir da sua vontade e repassou para os Òrìsà o modo mais apropriado para manter e transformar. Podemos notar que o repasse de informações partem através desta questão, observando que o ensino da palavra vem sendo aplicado por nossos ancestrais e vem sendo aplicado nas gerações da mesma forma que os alunos aprendem como seus professores, observamos então o poder que a palavra tem entre as questões do tempo e transformação.
Embora a palavra Òrò corresponda ao chamado e expressões de Olódùmaré com as divindades, o nome da interligação das palavras entre os homens se chama Òfó, que se expressam para realçar qualquer ritual dentro das tradições dos Òrìsà e Ifá. Òfó é também conhecido como encantação, que em particular causa a transformação das coisas na vida do homem, pelas preces enviadas para as forças naturais invocadas pelos sacerdotes. Sua energia deverá por eles ser bem aplicada e com clareza, para assim conseguirem alcançar a mais pura energia sem a qual nenhum ritual terá valor.
O ensino do poder na liturgia revelada pela palavra é aplicado nos templos da diversidade de segmentos relacionados as religiões afro-descendentes e no corpo literário das ramas de Ifá. Estão correlacionados nesta transmissão as Àdúrà, que são as rezas denominadas para as divindades e os poemas que correspondem aos 16 Odú Meji, signos principais de Ifá que formam outros 240 Omo Odú que são é a voz expressa de Olódùmaré no ato da criação.
Òrunmilá é o princípio Cardeal, testemunha e personagem principal de tudo aquilo que chega a ser criado, é o responsável da comunicação dos deuses com à humanidade e vice-versa. Sua atuação esta sempre presente em todos os segmentos e processos nos dois mundos. Ele observa e mantém as questões oraculares que são repassadas para os novos integrantes do corpo litúrgico de sacerdotes da nossa religião que devem ensinar os noviços como consultar as ligações entre o mundo material e o mundo espiritual. Neste momento é que os aprendizes estarão recebendo o poder da palavra na qualidade de Òfó, que tornará possível a comunicação para se obter respostas as premonições e revelações dos Odú em seus dilemas e feições.
Quando assumimos um compromisso através da palavra, por exemplo, quando nos programamos em fazer algo para si mesmo ou para alguém, automaticamente em nossa Ori já programamos aquele ato.
Nesta programação de eventos Ori programa uma situação e gera uma energia que forma um caminho até este evento programado, quando não cumprimos quebramos um elo e energias presentes nesse caminho acabam atrapalhando nosso caminhar.
Seria como se você programasse um GPS para seguir um caminho e no meio desse caminho você desviasse o trajeto ou fizesse o oposto ao programado.
Também quando assumimos compromissos religiosos, pactuamos com energias primais que em desequilíbrio pode gerar situações muito ruins na vida humana saindo de nosso destino proposto.
O mesmo ocorre quando se efetua uma consulta oracular, você está questionando quais energias estão em desequilíbrio, o não cumprimento em seguir as orientações trará consequências pesadas, pois o problema se acumulará e muitas vezes outras situações ocorreram para que aquela Ori “desperte” para a realidade de sua necessidade, até reestabelecer o alinhamento necessário.
Ori Inú, atua antes de nossas ações, quando não cumprimos as ações propostas por Ori Inú sofremos as consequências negativas de nossos atos.
Em suma este processo é a forma de continuarmos evoluindo, pois quando escolhemos nosso destino no Òrun esquecemos quando nascemos e somos orientados por Odù para lembrarmos de nossas escolhas; quando você é lembrado por sua Ori e não cumpre o destino, entra em desalinhamento; entrando em desalinhamento automaticamente outras situações ocorrerão para lhe trazer para seu alinhamento, para alguns isso ocorre naturalmente quando entendem este processo, porém alguns sofrerão a vida toda e mesmo quando morrem terão que continuar esse processo.
Cumpra sempre com o que prometer, aja com caráter e retidão e estará dando um grande passo em sua evolução.
Ire O!
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Oluwo Ifagboun Ajisafe
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