exu

Exu Odara omokunrin Idolofin

Exu Odara, o homem forte de Idolofin

Paapa-wara; A tuka mase isa

O apressado, o inesperado

Ele, que quebra em fragmentos que não se pode juntar

Exu é personagem controversa, talvez a mais controversa de todas as divindades do panteão iorubá. Para alguns é considerado como não exclusivamente mau, enquanto para outros é tido como a própria personificação do Mal[1]. Segundo Dopamu (1990), a maioria dos iorubás compartilham a opinião de que Exu personifica o Mal e atribuem a ele a responsabilidade por situações de briga, perigo, confusão, tumulto, má conduta e loucura. É comum ouvirmos um iorubá orando Oloorun ma je ki a ri ija Esu – Possa Deus nos ajudar a evitar o combate com Exu..

No mito cosmogônico Exu figura como responsável pela conservação do axé, o grande e divino poder com o qual as divindades realizam seus feitos sobrenaturais. (Abimbola, 1976). Em outros mitos, mostra-se freqüentemente associado a Orumilá. Vejamos um desses mitos, transcrito por Dopamu (1990):

Um dia Exu recebeu de Orumilá 120 mil búzios[2] economizados e prometeu negociar com eles. Mas como desejava ver o trabalho de seu companheiro arruinado, com esse dinheiro comprou uma velha e a trouxe para ele. Não passaram três dias e a velha morreu. Mas Orumilá, conhecendo muito bem as intenções maldosas de Exu, aceitou o incidente com calma e providenciou rituais fúnebres com todas as honras para a falecida. Pois bem. A velha era mãe de dois grandes reis – o Oba de Ibini (Benin) e o Oba de Oyo, que estavam procurando-a por toda parte, preparados para pagar por ela um resgate real. Ao tomarem conhecimento do ocorrido, compraram de Orumilá o cadáver da mãe por incontáveis bolsas de búzios. Assim, Exu não conseguiu criar obstáculos no caminho de Orumilá.

Outro mito esclarecedor a respeito das relações entre essas duas divindades o seguinte: Certa feita, Orumilá sofreu a ingratidão das pessoas do mundo e partiu para o céu, levando um feixe de varas e lamentando o ocorrido. No caminho encontrou Exu que lhe perguntou para onde ia. Ouvindo o relato, Exu considerou que, se os seres humanos podiam dizer coisas tão feias contra Orumilá, sempre tão generoso para com eles, o que não diriam dele próprio, sempre tão cruel? Então, acompanhou o amigo até o céu, carregando o feixe de varas para ele e lá chegando, ao ver as pessoas do mundo irou-se. Pegou algumas varas e começou a bater nelas. As pessoas clamaram a Olodumare por ajuda, dizendo que o promotor de desordens as havia seguido até o céu para matá-las. Olodumare enviou seus mensageiros para deter Exu e perguntou a Orumilá por que se recusara a proteger as pessoas entregues a seus cuidados. Este defendeu-se dizendo que Exu era responsável por todos os distúrbios do mundo e que dera, no céu, apenas uma demonstração de seu comportamento habitual na terra. Exu disse às pessoas que Orumilá as protegia no mundo mas não poderia protegê-las no céu. Então Olodumare disse a Orumilá que não levasse mais Exu ao céu e que cuidasse pessoalmente do bem-estar das pessoas no mundo. Aqui vemos Exu como gerador de distúrbios, dotado de poder para promover discórdias controláveis somente por Olodumare através de Orumilá (Dopamu, 1990).

Para Dopamu, Exu é o inimigo invisível do homem que, ardiloso e hábil, arremete sem descanso. Ao descrever as relações entre o homem e essa divindade, usa termos como estratégia e inimigo, denotando uma luta travada entre o Bem e o Mal, em dois campos de batalha articulados: o visível, na vida de relações sociais e o invisível, no íntimo da cada ser humano: Exu é uma realidade externa, bem como um demônio psicológico em nós. Embora Dopamu[3] o considere como uma entidade exclusivamente malévola, outros autores o descrevem como uma divindade simultaneamente malévola e benévola (desde que receba seu tributo).

Seu santuário é geralmente construído fora da cidade ou da aldeia, podendo também ser encontrado em albergues para estrangeiros e encruzilhadas. É simbolizado por uma laje de pedra ou pedaço de laterita bruta enterrado obliquamente no chão. Às vezes é simbolizado por uma imagem feita de barro ou madeira. Cultuado e aplacado por toda a terra iorubá, aceita em sacrifício búzios, galos, cachorros e bodes, bem como uma parte dos sacrifícios oferecidos às demais divindades. Em algumas regiões realiza-se festivais anuais em sua homenagem, ocasião em que as pessoas lhe pedem bênçãos para a agricultura e proteção contra o mal.

[1] Remeto o leitor particularmente interessado por este tema aos trabalhos de Abimbola (1975, 1976), Idowu (1977), Awolalu & Dopamu (1979) e Dopamu (1990)

 

[2] Os búzios eram usados como moeda corrente

[3] Cabe observar o fato de ter havido uma mudança na opinião desse autor a respeito da natureza de Exu. Na obra escrita em co-autoria com Awolalu, Dopamu mostra-se de opinião que Exu não deve ser inteiramente identificado com o Satã das Escrituras cristã e muçulmana, por possuir caráter duplo, portanto, com traços de benevolência. No decorrer de seus estudos sua opinião se modifica e a obra Exu, o inimigo invisível do Homem – publicada em 1990 em português, por esta editora, constitui uma espécie de “retratação pública”, conforme podemos ver no prefácio da obra referida

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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