Pagamentos realizados em dinheiro pelos préstimos aos Òrìsà.

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É esta uma das mais comuns observações e críticas que vejo ser 
dirigida para a Religião dos Òrìsà, tendo como alvo direto o Bàbáláwo 
ou o Bàbálòrìsà /Ìyálòrìsà, ou seja, a cobrança por parte do 
Sacerdote e os pagamentos feitos pelos ritos que serão realizados.

Excluída todas as ressalvas que já foram exaustivamente feitas em 
defesa desta prática sagrada, que é o pagamento para que sejam 
ministrados os sacramentos que toda religião possui, e que não exclui 
a Religião dos Òrìsà, devo tentar fazer lembrar alguns fatos que no 
meu ver são de extrema relevância, tanto ao Sacerdote como ao Fiél ou 
Iniciado.

Quando alguém paga para a realização de algum rito dirigido aos 
Òrìsà, ele está :
Contribuindo para a continuidade da existência de um Templo Sagrados 
dos Òrìsà, fato que gera condições para que a religião, onde sua fé 
está depositada, continue a existir;

– Ajudando a custear a manutenção de um Sacerdote que dedica sua vida 
a prestar serviços religiosos para o bem estar daqueles que o 
procuram;

– Colaborando para que o Sacerdote tenha tempo e condições de 
praticar, estudar e aprender mais sobre sua própria Religião, e com 
isso oferecer mais aos seus fiéis;
– e outros.

Se todas as citações acima são de suma importância, julgo que existe 
outra ponderação mais importante, ou seja:

Quando um Fiél, ou um Iniciado, paga para que um ritual seja 
presidido, ele está “gastando seu dinheiro”, na maioria das vezes, 
com sua própria Orí ou com seus próprios Òrìsà. 

Pode haver um dinheiro mais bem empregado do que este?
Parece-me que os pagantes se esquecem disso!
Mas ainda, não chegamos ao ápice da questão. 
A grande e maior importância que deve ser dada ao dinheiro que é 
gasto com a Religião está diretamente relacionada com o fato de se 
estar dedicando o sacrifício para ganhar o dinheiro, empregando um 
determinado valor para uma obra de Elédùmarè (Deus).

Em síntese: Eu observo que as pessoas relacionadas com a Umbanda e o 
Candomblé RECLAMAM por gastar seu dinheiro com suas próprias Orí, com 
seus próprios Òrìsà e principalmente com os templos da sua própria 
religião, onde se pratica a obra de Elédùmarè (Deus). 

Mas, EXIGIR e cobrar o melhor para si, todos exigem.
Como alguém pode querer receber com amor, se não dá com amor?

Aqui está uma das grandes chaves para o sucesso, ou para o fracasso, 
de qualquer rito realizado nos Templos dos Cultos aos Òrìsà.

Todas as religiões ensinam seus fiéis a dar amor para Deus. E este 
dar não envolve somente dar coisas abstratas, mas envolve também em 
dar coisas concretas, materiais e necessárias para a manutenção e 
existência da continuidade da religião.

Elogio aqui muitos cristãos que já aprenderam a doar para as suas 
igrejas, ENTENDENDO que aquilo que doam é pela necessidade que sentem 
de fazer com que a palavra do deus que eles acreditam seja expandida 
e difundida aos quatro cantos do mundo. 
É assim que crescem as Igrejas Evangélicas, muitas vezes causando 
ciúme para seus próprios irmãos da mesma fé.

Mas, literalmente oposto a isso, vejo que nas casas de Cultos Afro-
brasileiros as pessoas reclamam por gastar seu dinheiro com as obras 
de Deus, reclamam que seus Bàbá e Ìyá são pessoas ignorantes e sem 
cultura, reclamam que sua religião está sendo massacrada na mídia, 
mas eu pergunto: Qual a condição financeira que estas pessoas, que 
reclamam, dão para que este quadro seja revertido, já que ninguém 
quer pagar para obter o auxílio do Sacerdote ou do Templo que 
freqüenta? 

As Ilé Àse Òrìsà, conhecidas como Casas de Santo,não são também a 
Casa de Deus?
Quem paga pode exigir !
Exigir que o Sacerdote estude e se aprimore.
Exigir que o Templo seja limpo e bem cuidado.
Exigir receber ensinamentos.

O Sacerdote pode até ser rico e a Ilé Òrìsà pode até ser luxuosa, 
desde que seus Fiéis e Filhos Iniciados também tenham sabedoria, 
riqueza e sucesso. 

Esta é a troca, que todos desejam obter de Olódùmarè (Deus) quando 
vão buscar o auxílio dos Òrìsà através do Sacerdote Bàbálòrìsà.

Se, egoísticamente, alguém nega parte do que tem de material para as 
obras de Deus, o que poderá esperar em troca?

Faça sua religião ser grande e forte, e você será sábio, rico e 
próspero.

Seja mesquinho com as obras de Deus e com sua religião, e sua vida se 
resumirá num eterno pedir e reclamar.

E, se por acaso, o Bàbálòrìsà, o Rabino, o Padre ou o Pastor empregar 
mal o dinheiro que recebe, a responsabilidade espiritual é dele. Faça 
você a sua parte, doando para as obras onde seu Deus se encontra, 
sempre com amor e sem apego. O Sacerdote ou o Templo são, para você, 
meros instrumentos.

Lembre-se que, perante Olódùmarè (Deus), cada um é responsável pelos 
seus atos.

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ESCRITO POR
Olùwò Ifagboun Ajisafe

Mestre de Ifá consagrado em Lagos, Ṣàngó Walé, Alapini Ojeleke e Oluwo Ogboni.

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